MONTORO, O NOME DA
INTEGRAÇÃO
Neste ano em que o feminicídio segue explodindo como pandemia, celebramos os 20 anos da Lei Maria da Penha. Um é um problema estrutural da sociedade, e o outro é uma das tentativas de enfrentamento do problema que é parte da natureza humana e parte da sociedade organizada em leis. Nessa hora sinto falta um grande homem e político como foi André Franco Montoro.
Montoro foi incansável em levar à prática suas crenças e
ideias, liderando instituições para tornar realidade o sonho da integração. Quando participou da fundação do Parlatino, o Parlamento Latinoamericano, a América Latina seguia dividida, pobre, com mecanismos de exclusão se
reproduzindo e perpetuando desigualdades, injustiças, violência, extremos
políticos. Na sua prática, a busca por integração começava pelo próprio
indivíduo, para seguir além no processo de construção de um modo de vida que levasse à
convivência civilizada povos feitos de diferentes culturas. Um verdadeiro
democrata.
A democracia grega, onde tudo começou, durou pouco. Democracia é um conceito que evolui com os tempos. Hoje é a do Estado Democrático de Direito. Para participar das reniões na Ágora, por exemplo era preciso ter tempo que tem trabalha não tem. Cidadão, também, era outro conceito. Mudou com o que chamamos de direitos, individuais ou coletivos. Experiências democráticas duram pouco, porque são experiências para o que é o mundo no tempo em que duram, e ele muda com a evolução.
O tempo de Montoro foi o século XX. Nasceu em 14 de julho de 1916, dia em que comemorava os 127 anos da Revolução Francesa e em meio à I Grande Guerra, e morreu em 16 de julho de 1999, década em que o mundo vivia o fim da Guerra Fria e o renascimento da Europa, com a experiência da Terceira Via como prática democrática no alvorecer do século XXI.
Com seu sorriso largo e
sua fé na humanidade, guiado pela prática da democracia cristã, reagia com
coragem a qualquer tipo de injustiça que se apresentasse, construindo caminhos
para a mudança, como a do sonho da integração ltinoamericana. Como dizia, “Sonho que se
sonha sozinho é só um sonho só. Sonho que se sonha junto é realidade” na frase
imortalizada em música de Raul Seixas.
Liderou a
criação de espaços democráticos como o Parlatino, a ULAM - União Latinoamericana de Mulheres, o PSDB em 1988 e o PSDB Mulher em 1998, instituições
que ajudaram na integração no continente e na participação de mulheres na política. Como dizia, só o sonho não basta. Trouxe como parceiro dos segmentos da mulher e da juventude no PSDB a
poderosa Fundação Konrad Adenauer, do Partido da Democracia Cristão da Alemanha.
A Konrad ajudava na inclusão desses segmentos de pouca participação na política, financiabdo em vários países cursos de formação do mais alto nível. Com essa parceria capacitamos milhares de
mulheres e jovens no Brasil.
Lembrar dele é lembrar da
escolha do tucano como símbolo do partido nascido em 1988 durante a Constituinte, da ULAM e do Parlatino, cuja sede construiu em São Paulo quando governador. De agradável lembrança guardo os jantares depois das
sessões do Congresso no hotel de BSB onde ele e Lucy moravam, sempre regados a
sopa e vinho, da caipirinha que amavam tomar depois dos comícios nas campanhas
eleitorais celebrando a alegria da convivência. Dos livros que
não podiam faltar, oferecidos já na mesinha de entrada em cada evento. Das
reuniões de integração e planejamento no estilo imersão-com-retiro em Porto
Alegre, Campos do Jordão, Bonito. Da Constituinte. Das Diretas Já.
Homem de ação e coragem, esse
foi Montoro. Cada um desses temas e muitos mais que me ligam a ele vale um
livro. Aqui, com um desses temas, conto de modo breve e com uma seleção
documentada, a memória do que pudemos fazer com a ULAM que presidi, com ações e
em sedes montadas em vários estados, o nosso inclusive.
Tive em Montoro o parceiro
de todos os momentos da política em Brasília. Lembrar dele é lembrar das ações
transformadoras que liderou, nunca sozinho, e sim trazendo para perto pessoas para
darem o seu melhor na política. Ouvia, agia e falava sem medo. Dava a mão para
que outros subissem aos degraus de poder que ia conquistando por mérito
próprio. Abria espaços para jovens promissores, nos quais reconhecia potencial,
como quando governou São Paulo, fazendo de muitos que, como Serra e Paulo
Renato, seus secretários, mais tarde foram os melhores ministros nas suas
áreas.
Assim vivenciei politica em ele. Quando governadora pratiquei o que com ele havia dado certo quando
governou São Paulo, e o que Fernando Henrique fez como Presidente do país, com
transformações, humanismo responsabilidade. Formei a melhor equipe para
praticar o Coragem para Fazer, lema do governo que tantas transformações
e resultados conquistou ao longo dos nossos quatro anos de mandato. Por essas e
outras, nesta época em que o páis enfrenta novos desafios, viva Montoro!
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