MONTORO, O NOME DA
INTEGRAÇÃO
Nesses tempos em que o
feminicídio explode como pandemia, enquanto celebramos os 20 anos já da Lei
Maria da Penha, faz falta um grande homem e político como André Franco Montoro.
Nas ações que dava a cada passo, incansável, levava à prática suas crenças e
ideias, liderando instituições para tornar realidade o sonho da integração. A
América Latina seguia dividida, pobre, com seus mecanismos de exclusão se
reproduzindo e perpetuando desigualdades, injustiças, violência, extremos
políticos. Na sua prática, a busca por integração começava pelo próprio
indivíduo, para ir além na construção de um modo de vida que levasse à
convivência civilizada povos feitos de diferentes culturas. Um verdadeiro
democrata.
Com seu sorriso largo e
sua fé na humanidade, guiado pela prática da democracia cristã, reagia com
coragem a qualquer tipo de injustiça que se apresentasse, construindo caminhos
para a mudança que o sonho da integração antevia. Como dizia, “Sonho que se
sonha sozinho é só um sonho só. Sonho que se sonha junto é realidade” na frase
imortalizada em música de Raul Seixas.
Foi responsável pela
concretização de espaços como o Parlatino, a ULAM, o PSDB Mulher em 1998, instituições
que promoveram a prática da integração no continente e a participação, até
então ínfima, de mulheres na política. Como dizia, só o sonho não basta. Para
dar tônus ao PSDB Mulher trouxe como parceiro da Mulher e da Juventude a
poderosa Fundação Konrad Adenauer, do Partido da Democracia Cristã da Alemanha.
A Konrad financia em parceria conosco a formação política através de cursos
regionais do mais alto nível, motivando e capacitando centenas e milhares de
mulheres e jovens de todo o Brasil.
Lembrar dele é lembrar da
escolha do tucano como símbolo do partido nascido em 1988 para estruturar a
nova constituição. Da ULAM e do Parlatino. Dos jantares que tínhamos depois das
sessões do Congresso no hotel de BSB onde ele e Lucy moravam, sempre regados a
sopa e vinho. Da caipirinha que amavam tomar depois dos comícios nas campanhas
eleitorais e dos discursos celebrando a alegria da convivência. Dos livros que
não podiam faltar, oferecidos já na mesinha de entrada em cada evento. Das
reuniões de integração e planejamento no estilo imersão-com-retiro em Porto
Alegre, Campos do Jordão, Bonito, da Constituinte. Das Diretas Já.
Homem de ação e coragem, esse
foi Montoro. Cada um desses temas e muitos mais que me ligam a ele vale um
livro. Aqui, com um desses temas, conto de modo breve e com uma seleção
documentada, a memória do que pudemos fazer com a ULAM que presidi, com ações e
em sedes montadas em vários estados, o nosso inclusive.
Tive em Montoro o parceiro
de todos os momentos da política em Brasília. Lembrar dele é lembrar das ações
transformadoras que liderou, nunca sozinho, e sim trazendo para perto pessoas para
darem o seu melhor na política. Ouvia, agia e falava sem medo. Dava a mão para
que outros subissem aos degraus de poder que ia conquistando por mérito
próprio. Abria espaços para jovens promissores, nos quais reconhecia potencial,
como quando governou São Paulo, fazendo de muitos que, como Serra e Paulo
Renato, seus secretários que mais tarde foram os melhores ministros nas suas
áreas.
Porque é assim que penso
política, quando governadora pratiquei o que com ele havia dado certo quando
governou São Paulo, e Fernando Henrique fez como Presidente do país, com
transformações, humanismo responsabilidade. Formei a melhor equipe para
praticar o Coragem para Fazer, lema do governo que tantas transformações
e resultados conquistou ao longo dos nossos 4 anos de mandato. Por essas e
outras, um Viva a Montoro nesta época de grandes e novos desafios.
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