A VIDA COMO ELA ESTÁ SENDO Moramos desde 2025 em um prédio de 14 andares com 48 apartamentos. São apartamentos pequenos, de fácil manutenção e de agradável convívio com as áreas comuns que oferece. Apenas nós assinamos jornal impresso. Isso quer dizer que é um prédio habitado por gente mais jovem, que vive em outra civilização que não a da escrita. Espero com ansiedade o Jornal do Comércio das sextas feiras, trazendo sempre um caderno especial chamado Viver. Sugestivo e significativo. É sobre artes, opiniões, e a programação cultural para o final de semana. Sobre o viver. Hoje me brindou com a reportagem especial, sobre Ricardo Timm de Souza. Me vi nas descrições dessa intensa vida. Muitos se verão. No nosso caso, encontramos na Filosofia, já maduros, um caminho novo depois daqueles percorridos como professor, escritor, intelectual e, no meu caso, política. A reportagem me pega ultimando o primeiro dos livros da trilogia que estou escrevendo, que iniciei na mudança de v...
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Mostrando postagens de agosto, 2026
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A CRIANÇA QUE NÃO FUI PELAS HISTÓRIAS QUE NÃO ME CONTARAM O hábito de ler para as crianças antes de dormir não vivi. As histórias da literatura infantil passaram ao largo da minha infância. Não lembro de muitas coisas da tenra infância, mas lembro bem das formigas gigantes de nossa casa em Belo Horizonte. Lá nasceram meus dois irmãos menores, Lupércio e Thais. Pouco depois do último parto minha mãe adoeceu, e voltamos para São Paulo, divididos em casas de tios por alguns meses. Depois tinha uma lacuna nas lembranças, causado pelo trauma daquela curta separação. Terapias me ensinaram a identificar e vencer fantasmas daquele tempo. Na cidade grande com família grande, muitos primos e tios, aprendemos o modo coletivo de viver. De pessoal, tímida, foi com diários que troquei confidências e registrei meu cotidiano. Nas escolas tradicionais onde estudei, o método de ensino priorizava o ensino formal distante de brincadeiras. Os pais no lufa-lufa da vida não tinham tempo para elas. ...
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MONTORO, O NOME DA INTEGRAÇÃO Neste ano em que o feminicídio segue explodindo como pandemia, celebramos os 20 anos da Lei Maria da Penha. Um é um problema estrutural da sociedade, e o outro é uma das tentativas de enfrentamento do problema que é parte da natureza humana e parte da sociedade organizada em leis. Nessa hora sinto falta um grande homem e político como foi André Franco Montoro. Montoro foi incansável em levar à prática suas crenças e ideias, liderando instituições para tornar realidade o sonho da integração. Quando participou da fundação do Parlatino, o Parlamento Latinoamericano, a América Latina seguia dividida, pobre, com mecanismos de exclusão se reproduzindo e perpetuando desigualdades, injustiças, violência, extremos políticos. Na sua prática, a busca por integração começava pelo próprio indivíduo, para seguir além no processo de construção de um modo de vida que levasse à convivência civilizada povos feitos de diferentes culturas. Um verdadeiro democr...