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HANNAS  Não há palavras bíblicas para as ações das mães, embora elas sejam provavelmente mais importantes que as dos pais. Antigos padrões são repassados de mães para filhas que têm filhas, que por sua vez... Talvez isso explique o motivo de mulheres acharem tão difícil apoiarem-se a si mesmas e utilizarem os direitos que uma sociedade igualitária tem a oferecer. (Marianne Fredriksson)               No último ano aumentou o número de crianças registradas com o nome Hannah. Sempre achei Hannah um nome lindo. No português é Ana, referência à mãe de Maria, mãe de Jesus – é no dia 26 de julho, dia de Sant’Ana, o Dia dos Avós. Dia em que meu pai nasceu, em 1911, e eu em 1944. Perguntei à Simone o que tinha levado sua filha única a dar esse nome para a neta, terceiro filho,  recém-nascida, pois me parecia um nome antigo. Muito antigo. "Está na Bíblia", respondeu. Tenho uma amiga Johanna, que conheci no Carnaval em Águas de São Pedro, nos idos dos a...
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  ÉRAMOS TRÊS, ERA 1960. Emma Luiza, Sandra e eu éramos as três meninas dentre os 48 da turma do Científico do Liceu Pasteur, em São Paulo. Meninas que escolhiam ciências éramos poucas para tentar faculdade na área. Iam mais para o Clássico, ou para Pedagogia para serem professoras, profissão que não exigia faculdade e abrigava a maioria das mulheres para a vida profissional, e educadas para o casamento.     No ginásio as turmas ainda eram separadas entre os meninos e as meninas, e no Segundo Grau podiam ser mistas. As coisas mudaram desde então, com o segundo grau sem divisão por área de conhecimento, e as meninas escolhendo o que querem ser na vida sem as limitações cultural e legal entre os sexos de então. E, sim, professores são mais valorizados. Buscando fotos para ilustrar o livro que escrevia, Fios Tecendo Vida , dei com registros daquele tempo. Convivíamos com os veteranos do Científico da Célia, do Bidito, da Carmem, do Paulinho. As fotos expressam alegria, ainda...
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  EVIDÊNCIAS DE NOVOS VELHOS TEMPOS Uma amiga próxima me pergunta quando escrevi o Fios Tecendo Vida para esta Feira do Livro de 2026 de Porto Alegre. Contei que fui escrevendo, um diário de todas as manhãs ao acordar, desde a pandemia de 2020, tempos do “fique em casa”. Não escrevi. Fui escrevendo, pelo fio condutor daquela experiência de peste pela qual minha geração ainda não havia passado. Havia ouvido falar da do começo do século XX, meus pais falavam sobre isso. Mas o século já havia mudado e cem anos depois vem de novo, milhões de mortos em todo o mundo. E o homem, com toda a sua ciência, não conseguiu dominá-lo. Como lidar com em vírus que dizima milhões por todo o mundo? A pandemia do vírus da COVID 19 é produto de um mundo totalmente conectado. Não é algo novo, pelo contrário. É o eterno jogo entre vida e morte marcando a passagem do Homem na Terra, andando para fazer comércio, criar impérios, conquistar territórios, fugir dos perigos. O vírus é de linhagem conhecida: ...
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  TUDO NO SEU TEMPO E EM SEU LUGAR.  OU, O TEMPO COMO UMA DIMENSÃO DA REALIDADE. Acordo com a chuva. Começo o dia lendo mensagens.  Sigo com o café e com as notícias de fontes que seleciono. Rádio, jornal, celular. Na Europa em alerta continua a guerra da Rússia com a Ucrânica. L eio as notícias sobre o 7 de outubro do massacre, há 3 anos, do Hamas em Israel, ruptura no já frágil equilíbrio que levou a guerra de volta à região.  Crueldades nunca dantes vistas foram mostradas ao vivo pelos terroristas, imagens transmitidas pelo celular na palma de cada mão. O mal tornado banal compartilhado ao vivo.  Pelo e-mail hoje recebo o artigo de Marcelo Maceo, na revista Inteligência Democrática , sobre o que mundo é esse ? Recorto do artigo que fala sobre o tempo: É tempo de eleições, acontecimento que mobiliza milhões de pessoas durante algumas semanas. Há emergência, há consequência, há política, mas mundo… exige mais. Mundo pede duração. Não duração no sentido de etern...
 HISTÓRIAS DE UM SÉCULO COM  MINHAS AMIGAS OPEN HOUSE Fui criada vivendo em casas com quintal e portão que se abria com a mão. Qualquer mão, a partir da calçada. Casas abertas, sem grades ou trancas ou chaves, embora morasse na megalópole em que se transformava São Paulo. No bairro. Família grande, seis irmãos, com o pai de família de 11 irmãos, e mãe de outros tantos. Filhos de imigrantes. Famílias grandes pedem casas abertas, e as nossas eram. Tínhamos vizinhos, um curtia e cuidava do outro. A Grande Família. Parece outro mundo, coisa de ficção, de utopia, mas foi real e não faz muito . A história registrada do século XX, há apenas 125 anos, 4 gerações, soma-se à história da Humanidade que se conta em milhões de anos. Tudo foi mudando mais rapidamente naquele século XX, e muito mais ainda neste novo milênio. Enquanto tudo mudava nossa geração continuou com o convívio  open house herdado dessa jornada não tão longa.   No nosso grupo de vôlei algumas jogadoras progra...
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 UMA SAGRAÇÃO DA PRIMAVERA 2026 Na virada para a primavera deste 2026 reuní pequenos grupos de longo convívio para celebrar a primavera. Assim fizemos um encontro 4 em 1 e aliviamos a agenda de segundo semestre, que já anda ficando cheia nesse novo modo de vida pós pandemia e enchentes, e que vem na onda do viver-em-rede. Vai ficando difícil arrumar datas para encontros, tanto quanto vai ficando difícil de selecionar o que se aceita de informação por elas, as redes. O tempo encurtou, acelerou, apesar de os ponteiros do relógio de pulso que uso avisarem que o tempo real, o da volta da terra em torno do sol nesta que é uma das bilhões de galáxias do universo. Ufa. Deu certo. Celebramos a vida com quem pôde vir, e quem não pôde as redes ajudaram, colocando em contato quem está longe, a contarmos histórias de modo compartilhado. Claro que nada disso substitui a memória de cada um se entrelaçando nos relatos feitos pelos que falaram pelos grupos. A riqueza, na verdade, está nas memórias...
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  A RIQUEZA HUMANA NA ARTE DOS ENCONTROS         A  vida nos brinda com o encontro. Vamos nos encontrando com pessoas que navegam no mesmo barco e caminham nas mesmas veredas, construídas por relações firmes que perduram ao longo da jornada. Alguns têm uma habilidade muito especial de promover encontros para celebrar a vida, ouvir histórias, incrementar opiniões, alimentando a grande virtude de sermos amigos. Fernandinha é uma dessas pessoas.      A habilidade de formar grupos, de participar de outros pela arte da literatura e da ação política, de alimentar amizades, de compartilhar viagens, vive e se manifesta na Fernanda, a poeta, professora, a energia na forma de gente. A habilidade se transforma em arte quando faz caber no casulo do corpo o infinito da mente. Assim é Fernandinha de Gravataí que, muito pequena, nos procurou em meio a campanhas políticas contribuindo com seus desenhos, suas poesias, sua alegria e seu entusiasmo. Nunca ...