A RIQUEZA HUMANA NA ARTE DOS ENCONTROS
A vida nos brinda com o encontro. Vamos nos encontrando com pessoas que navegam no mesmo barco e caminham nas mesmas veredas, construídas por relações firmes que perduram ao longo da jornada. Alguns têm uma habilidade muito especial de promover encontros para celebrar a vida, ouvir histórias, incrementar opiniões, alimentando a grande virtude de sermos amigos. Fernandinha é uma dessas pessoas.
A habilidade de formar grupos, de participar de outros pela arte da literatura e da ação política, de alimentar amizades, de compartilhar viagens, vive e se manifesta na Fernanda, a poeta, professora, a energia na forma de gente. A habilidade se transforma em arte quando faz caber no casulo do corpo o infinito da mente. Assim é Fernandinha de Gravataí que, muito pequena, nos procurou em meio a campanhas políticas contribuindo com seus desenhos, suas poesias, sua alegria e seu entusiasmo. Nunca mais nos separamos, e ela participa da jornada desde então.
Conheci Fernanda em 1996, na campanha à prefeitura de Porto Alegre, quando tinha 13 anos. Aos 15 anos tiramos uma foto da qual gosto demais. Fui na sua festa de 40 anos em Gravataí. Neste domingo, 30 anos depois de conhecê-la, promoveu em almoço no apartamento onde mora com Patrícia o encontro entre nós e Eduardo e Regina Aydos. Chegaram para a sobremesa Tarsila e Chico. O que vivenciamos juntas nesse período dava um livro. É a arte da escrita que permite que eu conte dessa jornada nas poucas linhas de definem uma crônica. Contenho-me nos meus limites e escolho primeiro as fotos desses três momentos, na ordem contrária da linha do tempo.
1996! Interior de Gravataí, ainda com 13 para 14 anos não podia ir a PoA sozinha. Confeccionei teu material! Ganhei um panfleto de um vizinho que era de PoA e tinha sítio perto do sítio dos meus pais. 🥹
Foto contigo no dia dos meus 15 anos: 25.09.97. Te conheci pessoalmente nesta ocasião. Foi a realização de um sonho!
Nesse domingo, em meio a uma crise aberta pelos ocupantes do Supremo Trobinal Federal no ataque que promovem à justiça que tanto desejamos e pelo que tanto lutamos, Fernandinha reuniu no seu apartamento no centro de Gravataí os que participamos da campanha a deputada de 1998. Seu primeiro emprego foi na Escola Maternal dirigida pela Regina Aydos. Ambas vindas do campo, dos sítios de Gravataí, também nunca mais se separaram. Regina e o gigante do pensar e agir Eduardo Aydos, mais Patrícia, a companheira de todas as horas e viagens de Fernandinha, por seu convite nos reunimos no cantinho cheio de orquídeas do sítio dos pais.
Do encontro. Um almoço digno do que melhor se aprende sobre o celebrar a vida em torno de uma mesa de refeição bem da cultura francesa tão próxima de Fernanda. Cuidado. Delicadeza. Qualidade. Um papo que poderia se estender até a madrugada, feito de livros e ideias, de desejos e propostas, de abraços e brindes à vida.
Eduardo, prestes a fazer 80 anos, contou-nos da premiação recebida na última Expointer de 2026, por alguns dos búfalos que ele, Regina e o filho criam na cabanha que mantêm no sítio. Coisa bem do campo gaúcho. Contou de suas conversas com a IA e de como isso vai ajudar na publicação de suas ousadas e precursoras ideias de modo rápido. Contei que conto o mesmo na introdução do livro que vou autografar na Feira deste ano. Ali antecipo o uso da IA nos dois outros livros da trilogia que pretendo completar no próximo ano. Para ambos, é preciso acelerar as publicações dada a realidade da limitação do tempo que temos pela frente. Eduardo também publica trilogias.
Somamos as experiências do grupo, de professoras e professores e conversamos sobre como essa questão da IA tem levado a mudanças nas escolas e na arte de criação. A IA, nosso segundo cérebro, se localiza fora do corpo, e começa primeiro nas telas. Para que não nos percamos nelas, usá-la permite tomar forma e tecer novos livros de modo mais rápido. Quando entra para as conversas presenciais como esse nosso encontro transforma-se em rede, como conta Mauai Toledo no seu artigo na revista Inteligência Democrática deste 13 de setembro de 2026.
E sigo a linha do tempo com esse registro em mais três fotos. Se nossos encontros começaram bem antes deste milênio, nos debates nas academias das quais participamos, e da política que vivíamos em partidos políticos e campanhas eleitorais, neste domingo tomaram a forma de conversa celebrando a arte dos encontros. Viva Fernandinha!
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