HISTÓRIA DE UM SÉCULO E MINHAS AMIGAS OPEN HOUSE


Fui criada vivendo em casas com quintal e portão que se abria com a mão. Qualquer mão, a partir da calçada. Casas abertas, sem grades ou trancas ou chaves, embora morasse na megalópole em que se transformava São Paulo. No bairro. Hoje, comunidades. Família grande, seis irmãos, com o pai de família de 11 irmãos, e mãe de outros 12 irmãos. Filhos de imigrantes. Famílias grandes pedem casas abertas, e as nossas eram. Tínhamos vizinhos, e um curtia e cuidava do outro. A Grande Família. Parece outro mundo, coisa de ficção, de utopia, mas foi real e não faz muito. Essa história registrada vem de 1901. Completa apenas 125 anos, 4 gerações, enquanto a história da Humanidade se conta em milhões de anos.

Tudo foi mudando no século XX, e muito mais ainda neste novo milênio. Enquanto tudo mudava, tivemos a felicidade de nos reunir, a nossa geração, no sistema open house herdado dessa jornada não tão longa. Bem, conto aqui apenas do período de convivência em torno do esporte, em Porto Alegre. No nosso grupo de vôlei fomos algumas as jogadoras que puderam ser open house pelos mais diversos motivos. ACM e AABB, verões no litoral, festas na capital, partidas de vôlei, churrascos nos sítios. Ainda vivíamos sem trancas, sem senhas, sem essa nuvem escura que cobre a humanidade sem segurança. Mas vamos falar do que é bom. Ainda fazemos open houses, diferentes mas abertas, em Porto Alegre. A última foi nesta semana, para celebrar a entrada da primavera de 2026.

Vou agora lembrar das amigas open house do grupo de vôlei. Já avós e bisavós, algumas ainda nestas plagas, outras formando o time no céu. Margareth, com Carlos, seus 2 filhos, a casa no Alto Terezópolis em Porto Alegre, e os incríveis doces de sua mãe Mercedes. Rutinha, com o Alemão, seus 3 filhos, a casa na Assunção à beira do Guaíba, o sítio em Gravataí, e a casa de praia em Capão, depois Ibiraquera. Maria Helena, com Sergio Bereba, seus três filhos, o apartamento na Faixa Preta. A Cloé, com Cordeiro, 1 filho, seu apartamento na Beira-Rio, e o de Capão. A Margarida, com Jeruzes, seus 3 filhos, sua casa na Assunção. Geni, com Hans, seus 4 filhos, seu sítio na Zona Sul, sua casa na Tristeza, sua casa de praia em Imbé. Iveth, com Ricardo Pingo, seu apartamento em Porto Alegre, seu condomínio em Capão Novo. Beth e Gina também no Imbé. E eu, com Carlos, 2 filhos, a casa em Porto Alegre, o apartamento em Capão.

Muita coisa mudou, claro, e às memórias vivas vêm se juntar os registros em álbuns de fotos guardadas em  papel e os books digitais, alguns dos quais aqui reproduzo. Porque compartilhar, assim como com-viver, é fundamental. E curtir o dia, um privilégio. Bom dia, a cada dia.



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