ENCHENTES: A SOLIDARIEDADE MANIFESTA

Da Série Simbolos (II)

19 de novembro de 2024


O Rio Grande do Sul recebeu, durante as catastróficas enchentes de 2023 e 2024, um monumental movimento de voluntários. Gente vindo de todo o país e do mundo chegaram pelas estradas que restaram, e por aviões que chegavam apenas na Base Aérea de Canoas, pois o aeroporto de Porto Alegre ficou submerso, e de governos municipais e estaduais gerando, para além do resultado em vidas, todo tipo de emoções e sentimentos que funcionam como alimento para o significado da vida.

As águas em volumes nunca vistos em poucos dias não escoavam, e só vieram a baixar totalmente meses depois. Mais de 2 milhões de habitantes foram afetados.Tudo o que a fazia escoar em tempos "normais" deixou de funcionar. Em tempo real foram transmitidas imagens como a do cavalo Caramelo que ficou se equilibrando em pé por 3 dias num telhado (Figura 1), as do movimento incessante de canoas, jetskis, barcos de todo tipo navegando onde antes existiam ruas, para resgatar gente e animais por tudo o que ficou acima da água. 

              Figura 1                                     Figura 2                               Figura 3


  
Pela cobertura da imprensa, o mundo acompanhava cada ação e cada pessoa entrevistada contando o que sentia, o que tinha perdido. Muitas vezes era o silêncio, à falta de palavras, gritando a dor causada pelo gigantesco evento.Áudios, fotos, vídeos, tudo era semdo registrado com muita emoção. No humano, o desastre deixa cicatrizes. Quem passou por isso ficou marcado, e sente. A história nas imagens formando a memória fica para sempre viva. Muito foi registrado do chorar junto. Do abraçar quem chorava. Do abraçar quem não conseguia chorar.

As consequências do trauma se manifestam em comportamentos dos seres vivos, gente ou animal, como foi o caso do cãozinho que, já no colo da pessoa no bote que o estava resgatando, continuava batendo as patinhas como se nadasse (Figura 3). Impossível não chorar. Outro cão se agarrava às pernas da cuidadora no abrigo, um dentre os muitos abrigos montados rapidamente em shoppings, universidades, clubes para receber os animais. Milhares de animais. 

Ainda sentem os que acompanharam ao vivo o cavalo Caramelo em pé e imóvel por 3 dias sobre o telhado, até o seu resgate. Ao dar um nome para as coisas acontecidas assim, quando se pronuncia o nome ressurge a emoção daquele momento, como com o nome O Resgate dado pelo Brasil Paralelo em seu documentário de maio. Ação. Agir é um bálsamo para quem pratica a ação, e para quem a recebe.  O que moveu tantas pessoas para levá-las à ação praticada nas enchentes de maio tem um nome: solidariedade. Solidaredade é um amálgama que sustenta a convivência humana, e comprovamos nas enchentes sua concreta existência.

ET: Sobre monumentos e símbolos. Obras de arte eternizam a emoção que o evento gerou. Em abril foi leiloado o quadro de Caramelo (obra de José Acuña) para ajudar nas ações de resgate. Em dezembro será instalada a escultura em metal (Figura 2) do barco com pessoas e animais (iniciativa de Renato Malcon e Cezar Prestes, realizada pela Federasul) à qual foi dado o nome de "Heróis Voluntários". Em novembro está sendo feita a instalação de 27 metros no Pontal com figuras (criação de Siron Franco) que atuaram naquele ponto de resgate de maio. Parabéns a todos os envolvidos.

 

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