PÉS NO
CHÃO E OLHOS NAS ESTRELAS: ELEIÇÕES 2026 (I)
24
NOVEMBRO 2025
Municipalismo: política que objetiva oferecer maior autonomia aos municípios por meio da descentralização da administração pública e da distribuição justa dos recursos públicos. A cidade é o espaço onde se vive e se se trabalha. É o mundo real, enquanto a Federação é a organização do espaço nacional, com responsabilidades definidas na Constituição da República. Conectados, as politicas públicas são mais eficientes, gerando melhores resultados.
O país a que chamamos de Nação é o local de pertencimento e cidadania cujo alicerce é o município - a comunidade, o lugar de muitos, o território público. A relação saudável entre o cidadão, seus representantes e governantes, exige respeito mútuo e autonomia, repartindo tanto as responsabilidades quanto os impostos arrecadados e aplicados pelos entes públicos. Em 2026 escolheremos por eleição nossos governos e representantes. O mercado da política já se agita.
No caldeirão dos interesses tudo ferve. Do poder central surgem novidadess que chegam em tom de deboche aos cidadãos. A mais recente: será o governo federal, e não mais o cadastro da renda das famílias nascido no Governo FHC (1995/2002) como base da concessão da bolsa-escola e matriz do Bolsa Família, que decidirá quem tem direito ao bolsa-gás. Hoje 50% da população brasileira depende de bolsas como essa para viver. Quem vai ganhar?
Com a mudança súbita, asi-no-más, na bolsa-gás, o governo ele mesmo dirá para quem vai o novo tipo de bolsa, como se fosse um “direito concedido pelo governo federal”. Quem vai informar ao governo que pessoa - ou seja, que eleitor - tem o novo direito? O PCC que comanda as comunidades? O “líder comunitário” conferindo na urna o voto, como já se tem visto com frequencia crescente?
Para piorar, o bilionário Fundo Eleitoral se transformou também na principal moeda de partidos políticos para a conquista de votos que d~em vcitória ao governo nas suas iniciativas no Congresso Nacional, e também na disputa dentro do mercado eleitoral de candidatos a deputado federal, pois o tamanho da bancada federal determina a divisão dos bilhões do Fundo entre eles. Além do aumento do Fundo, o setor público federal, gigante torto da nossa Federação, garante a formação da “grande aliança” com a promessa de cargos que dão acesso aos muitos outros bilhões do orçamento federal entre os partidos. Quem dá mais?
Só que a vida real se dá nas cidades. É nelas que nasce o mapa verdadeiro do país. Um exemplo prático de respeito a essa realidade, e eficiência na definição de políticas públicas, foi o caso do Mapa da Fome utilizado para guiar as ações da Comissão de Combate à Fome, a Miséria e o Desemprego criada do Governo Itamar Franco, em 1993, que coordenei como Ministra do Planejamento e Orçamento. Com as estatísticas em mãos colocamos os pés no chão e definimos onde aplicar com eficiência o então escasso dinheiro público, agregando governo e sociedade na sua aplicação. Dela resultou o movimento Ação da Cidadania contra a Fome, do Betinho, que existe até hoje. Foi um projeto de sociedade que transformou sonhos em realidade. O que importa é caminhar com os pés no chão sem perder a orientação do sonho que habita as estrelas.
Com essa mesma estratégia enfrentei a escalada da violência no estado, uma das prioridades de meu governo lançando em 2007 o PPV - Programa de Prevenção da Violência a partir do Mapa da Violênciao com os registros dos hospitais, postos de saúde, delegacias de polícia, escolas. Desenhamos as ações de política pública com a participação da sociedade, dos poderes legislativo e judiciário, e todas as secretarias. Com orçamento próprio cada secretaria, conectada no Programa Estruturante de Prevenção à Violência, respondeu pelo resultado: a redução da desigualdade e o significativo aumento dos índices de qualidade de vida das comunidades.
Nossos compromissos foram honrados. Quem participou sabe, e conta. Por isso me foi tão gratificante o reconhecimento e a premiação (Figuras 1 e 2) .
Figura 1: Famurs 33 anos (Foto:Antonio Paz /Piratini)
A Federação elegeu para a gestão 2009/2010 o prefeito de Sentinela do Sul, Marcus Vinicius Vieira de Almeida (PP): “Yeda Crusius é a governadora mais municipalista da História”. Deputada federal por 12 anos, defendeu o municipalismo no Congresso". Aumentou o repasse de ICMS aos municípios, honrando os compromissos assumidos com as prefeituras mesmo antes de seu governo e com as reduções de repasses federais ao Rio Grande do Sul. Afirmou o presidente na gestão 2007-2009, Elir Girardi: “o governo estadual trata com seriedade as prefeituras honrando todos os compromissos assumidos”.
Voltamos às eleições 2026. Os líderes comunitários, elo entre o eleitor e o candidato, têm um valor especial. Embora as coisas estejam tão mal na teia de corrupção que se espalha espantosamente, nem tudo é troca-troca. Ainda. Dá tempo para reverter a curva de final-de-mundo para um país rico como o nosso, mas em franca decadência pela corrupção instalada e seu filhote, o crime organizado. É urgente romper com a prática criminosa do aparelhamento do Estado no uso do dinheiro público. Virá de compromisso entre eleitores e eleitos de 2026.
O reconhecimento já pertende ao passado reconhecido pelos seus resultados. O desafio hoje permanece o mesmo: construir uma sociedade melhor através da política. Já superamos algo semelhante na crise quando, na Constituinte de 1988, a nova ordem interna foi desenhada com base no respeito mútuo entre os entes federativos do Estado Democrático de Direito. Itamar e FHC, comprometidos com a nova Constituição que ajudaram a escrever, inovaram e enfrentaram os problemas estruturais: economia, democracia, analfabetismo, reforma agrária, subdesenvolvimento, fome. Com essa “prova dos 9”, mostramos saber ser responsáveis pelo futuro que desejamos. Consultemos os líderes. Eles moram nos municípios. Mudar só acontece se agirmos de acordo.
Figura 2: Com IBDM (Foto: Antonio Paz/Piratini)
Instituto premia Yeda Crusius: Em audiência, o presidente do Instituto Brasileiro
de Direito Municipalista (IBDM), professor Márcio Cammarosano, comunicou à
governadora a homenagem prestada com a Medalha da Ordem Honorífica. “Pelas minhas andanças pelo Rio Grande do Sul ouvi a afirmação de que não existiu governador que tenha
dedicado mais atenção aos municípios e prefeitos que Yeda Crusius. É
inquestionável o trabalho da senhora pelos municípios. A senhora é uma
municipalista de coração e ação, completou.”
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