CAMPANHAS
ELEITORAIS
Hoje é
dia de eleições. 25 de outubro de 2026. Começa a chuva mansa em meio à neblina.
São 5:45. Posto a foto da janela do meu escritório. Escrevo.
Dividido no
seu mapa continental, o Brasil foi pintado de vermelho da bandeira escolhida
pela a maioria dos eleitores da região Nordeste no primeiro turno, e de azul
das outras quatro regiões - Norte, Centro Oeste, Sudeste e Sul, o país decide hoje
se por pequena maioria dos 220 milhões de eleitores continuamos na fase
descendente do ciclo civilizatório a que estamos sujeitos desde o começo do
milênio.
Numa
campanha eleitoral que é o retrato vivo de como o Estado veio se corrompendo ao
longo dessas primeiras décadas do novo milênio, confrontam-se um velho e um jovem – não o novo e o antigo
no campo das ideias e das práticas. Triste de ver a decadência trazida pela
corrupção das instituições de um Estado mudando no ciclo longo em que
tudo se arranja e desarranja a partir das criações dos homens – tecnologia uma
delas, dinheiro outra.
Digo da
criação dos homens, e não do Humano. Este se perde nessa corrosão do
tecido social se tornando não parte mas apenas uma capa a cobrir o corpo mais
magnífico jamais criado no universo até aqui conhecido: o ser humano. Nem é
culpa. É que é assim.
Tudo o
que é vivo é concebido, semente que germina e cresce até completar seu ciclo
individual, transcende somando-se à matéria feita pelas camadas da terra
que a antropologia estuda. Nada se perde, tudo se transforma. E no muito longo
ciclo nada se cria, tudo se copia. Criação é algo maior. Somos dotados de
capacidade para isso. Gênios e simples aproveitam o dom.
Quero
neste alvorecer prestar um tributo a todos os que conceberam, gestaram e plantaram
sementes para germinar nesse campo fundado na noção de Justiça, que é a
Política no seu sentido maior. Nossa campanha eleitoral de 1996 à Prefeitura de Porto Alegre honrou o Humano, entendeu
o momento dos anos 1990 do Plano Real no Brasil e do nascimento da União Europeia
com seus valores ocidentais de Democracia sendo restaurados – e modernizados.
Será um
tributo a Paulo Roberto Leandro que, quando, terminada a campanha e
festejávamos em boliche da Capital, perguntado por mim “vamos fazer um
documentário para registro?” respondeu-me, depois do silêncio que o pensar
exige “Yeda, passou”.
Sim, passou. É muito lembrada por tudo o que deixou: mensagens e propostas,
registro de caminhadas e carreatas, programas eleitorais do horário gratuito, vídeos,
jingles, comerciais premiados, e a formação de um grupo que seguiu junto nas
veredas da política eleitoral dali em diante, até completar 30 anos marcando o fim de um ciclo eleitoral. Foi a campanha à Prefeitura de Porto Alegre, há exatos 30 anos,
em 1996.
Um de meus clipes preferidos fala que se pode fazer campanha diferente (https://www.youtube.com/watch?v=NhwKM0InmjQ onde se acha o padrão que permeou a campanha). Fernando Henrique nos cumprimentou pelos resultados e Paulo Renato participou de todas as etapas, inclusive com gravações. Feita durante as Olimpíadas de 1996, a nossa seleção de vôlei feminino ganhava a sua primeira medalha olímpica, que transformamos em homenagem exibida em vídeo de comercial na campanha de rádio e TV. Bons tempos. Continuamos brilhando no vôlei. Sementes boas de colher. Que mostrarei em 2027.

Bom dia.

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