GRANDES DERROTAS: COMO SAIR
DO LOOPING DO SETE A UM
Porto Alegre,18 de agosto de 2025
Já fomos o país do futebol. Ainda hoje nossos jovens jogadores são contratados por muitos milhões para os maiores times do mundo principalmente na Europa, onde o futebol nasceu e ainda reina. Jogadores são a matéria-prima do esporte que leva multidões aos estádios, numa paixão universal. Essa paixão tem sido contaminada por um novo modelo de negócios que induz uma troca o amor à camiseta pela lógica do dinheiro, através dos patrocínios e das bets, o jogo pelo celular.
Em qualquer jogo se ganha ou se perde, às vezes de 7 a 1. Faz parte. Na política também é assim, há vencedores e perdedores que se revezam no levantar das taças. Já no social o que se busca é organizar um jogo de soma zero: todos jogam seguindo as boas leis e regras de convívio, e não é jogo de algum time ganhar sempre. Se não for assim, , não se renovar o comando seguindo boas regras, forma-se ali adiante uma crise social, acumula-se rancor, e acaba vencendo a velha lógica das guerras.
Futebol e camiseta
O mesmo acontece na política. Partidos são criados para conduzir a política. Houve tempo em que o faziam com propósito, com um projeto diferenciado de país, de cidade, de estado. E quando eclodia uma crise, partidos negociavam uma saída como aconteceu quando, por um acordo político entre partidos, foi escolhido o mineiro Tancredo Neves com o compromisso de colocar fim ao período militar e voltar o país às eleições diretas pedida por multidões no período das Diretas Já, em 1984. A aceitação de uma eleição indireta foi o passo dado por um acordo para o retorno a uma democracia plena, tanto eleitoral quanto de direito, com regras definidas por um Congresso Nacional Constituinte.
Tancredo morreu dias antes da posse, não pode conduzir o processo mas seu vice, José Sarney, honrou o compromisso. A Constituinte de 1988 foi concluída em dois anos. Foi tão bem feito que a Constituição Brasileira é a mesma desde então, com emendas. Novos partidos nasceram. e com novas regras foi realizada a primeira eleição direta para presidente da minha geração, em 1989. O que veio depois já é História. O presente, entretanto, ainda não é História. Os partidos, com raras exceções, parecem ter perdido sua alma, seu propósito político.
Assim como no futebol não é bom
perder de 7 a 1, na política perde-se feio quando a paixão pelo partido é substituida pela lógica do dinheiro que sustenta no poder dirigentes e corrompe suas instituições. Ferindo-se a Constituição sangra a sociedade, armam-se as partes. Nesse caminhar podem surgir condições para se buscar um novo projeto, uma nova agenda que substitua uma ordem que não serve mais ao coletivo. Se a economia encolhe, a inflação salta, a desigualdade machuca, a desconfiança fragiliza, o coletivo grita.
Está gritando. Quer mudar. É possível. Está na hora.
Concordo. Nosso passado é histórico. Concordo também com sua frase “o que está vindo é um perigo", pois revela a preocupação, arrisco a dizer, da maioria dos brasileiros com o presente e o futuro, indicando que mudanças são urgentes porque as tendências atuais são ameaçadoras.
ResponderExcluirTem muita gente boa querendo acertar. Que bom.
ExcluirO caminho para reordenar o pais e criar um sistema de equilibrio entre os poderes do Estado ( freios e contrapesos) so com nova constituição. Da forma como esta sem segurança juridica nenhuma estamos colocando o pais ladeira abaixo. Nova constituinte é extremamente necessaria
ResponderExcluirCreio que está amadurecendo essa consciência do que falta, e estão se agrupando pessoas dispostas a atrabalhar pelo bem comum com um projeto que crie consensos.
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