SEM MEDO OU ILUSÕES: SÃO COISAS PASSAGEIRAS

 Será que um bot vai gerir seu dinheiro um dia? Empresas de wealth management despencaram hoje na Bolsa americana, entrando para a lista cada vez mais longa de setores atingidos por preocupações com o potencial disruptivo da AI sobre seus negócios. (Luciano Costa, Brazil Journal, fevereiro de 2026)

   

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Inteligência é um atributo de quem aprende. Democracia é um sistema de convivência baseado na confiança de que regras pactuadas valham para todos. São qualidades humanas. Mas porque se acelera o fosso entre os que sabem e os que não sabem e entre os que têm cada vez mais e os que pouco ou nada têm, crescem sentimentos como rancor e desconfiança que afetam as relações humanas, políticas e sociais, e reduzindo as escolhas entre apenas dois polos: os extremos.

A polarização política deixa de ser um fenômeno meramente eleitoral ou ideológico para assumir uma dimensão identitária e afetiva. A lógica dos conflitos deixa de se organizar em torno de programas e propostas e passa a se estruturar em torno de narrativas morais absolutizadas. O adversário político passa a ser inimigo. Esse deslocamento não ocorre no vazio: ele emerge da confluência entre transformações tecnológicas e fissuras sociais, atravessando tanto a vida pública quanto a intimidade das relações pessoais. (João Francisco Lobato, Inteligência Democrática, 24.01.2026)

Máquinas não se movem por intenção. Funcionam, tem limites. Precisam da energia que não produzem. Em 2025 foi criada uma comunidade de agents que aparentemente conversam entre si com autonomia, como se fossem gente. Vão substituir o criador? Não. Porque é comunidade controlada pelos seus criadores. Assim como a fissão nuclear não nasceu para fazer bombas, a moeda não foi criada para enriquecer alguns e escravizar outros, robôs não foram feitos para nos excluirem, o Moltbot inclusive. Enquanto tiver energia, a nuvem guarda tudo. Diferente das enchentes, que tudo levam, ou das memórias que o ciclo da vida apaga junto com seus portadores.

Dario Amodei, o criador do ChatGPT da Google, alimenta o debate falando da adolescência da tecnologia: enfrentando e superando os riscos da IA poderosa. O debate os beneficia, assim como às suas empresas.

 Pedro Doria: Esses robôs são uma loucura. Um desastre está por acontecer — autônomos, tomando decisões sem supervisão, vazarão dados pessoais, divulgarão casos extraconjugais, levarão gente à falência. E talvez, apenas talvez, alcancem algum grau de consciência. O que é mais assustador? (O Globo, 03.02.2026)

O governo chinês trocou a moeda por compras obrigatoriamente feitas por celular que, na sua programação, calcula um “crédito social”, a nova moeda que cada cidadão recebe por seu comportamento a cada passo registrado pelo Grande Irmão. Se “reprovado”, não consegue mais comprar nada nem usar os serviços básicos como moradia, saúde, água, que são um monopólio de estado na China. É excluído da sociedade. Parece ficção, mas é o que acontece hoje.

Agora o governo suíço quer a volta do uso de moeda física para humanizar as relações de troca. O Brasil criou em 2020 o pix, sistema de pagamentos sem taxas que permite escapar das amaldiçoadas tarifas dos bancos por onde circula nosso dinheiro. Um gênio ainda não identificado inventou uma nova moeda, a tida como “a moeda da liberdade”, o bitcoin. Como o pix, sucesso universal, criação nossa.

O Moltbot lembrou-me do Metaverso, que chegava para mudar o mundo e aposentar tudo o mais, então, você tem que tê-lo.  Comprá-lo. O departamento da trilionária empresa de seu criador foi logo fechado. Não deu o lucro desejado.  Então mantenhamos a consciência bem viva. Há um movimento sufocante para comprarmos as maravilhas da IA que estão à venda. Como as bets e sua promessa de ganhos rápidos. Analisemos o que é útil para nós. E não o que dizem que é bom para você.

Aqui vão algumas pérolas cultivadas do atual debate. Um jogo de cartas marcadas ligado ao jogo diário das bolsas e das instituições financeiras acopladas à nave dos ganhos bilionários, em inglês traduzido e distribuído pelas redes. No limite, ou se é ESG, ou se sabe da tecnologia, ou se entra no jogo, ou será excluído dos empregos, dos mercados de créditos, das doações internacionais. Pode ser, mas não desanime. Você existe.

É de arrepiar: Moltbook, a rede em que agentes de AI conversam, se queixam – e criam consciência (Giuliano Guandalini (AI Journal, 31/01/2026)

Em O Exterminador do Futuro, o ano de 2029 marca a batalha entre as máquinas rebeldes comandadas pelo sistema de inteligência artificial Skynet contra a Resistência liderada por John Connor. Esta semana, a ficção acaba de ficar um pouco mais perto da realidade. Entrou no ar na quarta-feira a Moltbook, uma rede social no em que apenas agentes de inteligência artificial – sim, os robôs virtuais – podem fazer posts ou comentários. Humanos são bem-vindos apenas para observar, sem interagir.

“O que está acontecendo no Moltbook é a coisa mais incrível e próxima da ficção científica que vi recentemente,” escreveu no X o pesquisador Andrej Karpathy, que já passou pela Tesla e foi um dos fundadores da OpenAI.  Para Elon Musk, estamos “nos estágios iniciais da singularidade” – o momento em que as máquinas ganharão consciência própria e não dependerão dos humanos.

O Moltbook foi criado pelo programador e empreendedor de tecnologia Matt Schlicht, CEO da Octane AI – uma plataforma para marcas de e-commerce criarem experiências de venda personalizadas. A operação do site é quase toda automatizada, sob o comando do bot pessoal de Schlicht, o Clawd Clawderberg. Schlicht fez este bot usando um novo software criado apenas dois meses atrás – e que é a causa fundamental do furor no Vale. Originalmente chamado de Clawd (até que os advogados da Anthropic, dona do LLM Claude, entraram no circuito para proteger a marca), o software mudou brevemente de nome para Moltbot, e agora se chama OpenClaw. O OpenClaw – que tem como símbolo uma lagostinha – foi criado por Peter Steinberger e se tornou um dos maiores projetos open source que o mundo já viu, atingindo mais de 130 mil estrelas (equivalentes a “likes”) no portal de desenvolvedores Github. (Para efeito de comparação, o bitcoin tem 88 mil estrelas apenas.)

É bom e salutar cultivar a rotina de olhar menos para as telas e olhar mais para a natureza que, na sua harmonia e perfeição, fruto do mistério da criação, nos conta de graça da infinita beleza que há para ser vivida, com a tranquilidade de que nunca saberemos tudo do universo. Usemos o que sabemos para viver bem. O conhecimento é isso que nenhum Grande Irmão acessa. É seu. Cultivemos, pois.

 

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