A FOTO DA
HISTÓRIA DO GRENAL QUE É JOGO E NÃO GUERRA
A foto acima, de 2024, é histórica. É um registro de 7 dos 8 ex-governadores vivos naquele ano, com exceção de Antônio Britto que mora em São Paulo. Os que estão sentados têm mais de 90 anos. Espero chegar lá como eles. A fpoto conta uma história e tanto. Outros políticos, como os vice-governadores e presidentes da Assembleia Legislativa, também ocuparam o cargo do titular.
A foto foi tirada pela esposa de Pedro Simon, Ivete, na casa de
Alceu Collares, que faleceu poucos meses mais tarde. Foi em um almoço que se
seguia a vários outros anteriores desse grupo, nos quais a conversa sobre nosso estado se estendia
por horas.
Esse grupo conviveu fraternalmente num ambiente propositivo, algo que não
parece pertencer à história do permanente grenal político pelo qual é conhecido nosso estado. Por isso a foto é histórica, e assim foi celebrada
quando publicada no dia seguinte nos veículos de comunicação. Um convívio entre
políticos de partidos diferentes é possível, e desejável. Eu mesma, quando
governadora, convidei todos para compor um conselho do qual o estado se
ressente. A experiência de cada político que ocupou o cargo, independente de
partido, é preciosa, e deixaria muito de ser desperdiçada na administração estadual do momento. Não tive sucesso. Mas quem sabe seja criado algum dia. Faz
falta como espaço político único, incomparável, de aconselhamento.
A lição da foto é essa: jogamos o jogo, vencemos campeonatos, e governamos com alternância entre partidos que tiveram que governar com todos os demais na política de cada dia. Alternância de partidos na política é uma qualidade que permite evitar as tiranias. A política, como o futebol, carrega multidões, torcidas que usam com orgulho a camiseta do seu time ou partido. No futebol cada grenal entre os dois maiores times do estado é uma partida de um jogo com regras, e tem juiz lembrando isso, apitando faltas, que não são as mesmas regras de um vale-tudo. No final de cada campeonato o time campeão leva a taça e será sempre lembrado pelas qualidades que o fizeram vencer. Já na política cada eleição é uma partida de um campeonato que ao final quem ganha não leva apenas uma taça, e sim a responsabilidade de governar durante um mandato para todos e não apenas para os seus partidários. Também não vale tudo, embora alguns participantes inimigos da alternância ajam como se fosse. Vamos a mais uma disputa neste 2026. Espero que com o mesmo espírito de fraternidade que a foto transmite.
O Rio Grande do Sul já teve 37 governadores em sua
história: Antônio Augusto Borges de Medeiros (1898-1908) Carlos Barbosa
Gonçalves (1908-1913) Arthur da Silva Bernardes (1913-1914) Assis Brasil
(1914-1918) Getúlio Vargas (1928-1930) Osvaldo Aranha (1930-1935) Cordeiro de
Farias (1935-1937) João Neves da Fontoura (1945-1946) Walter Jobim (1946-1950)
Ildo Meneghetti (1951-1954) Ernesto Dornelles (1954-1955) Leônidas Pires
Gonçalves (1956-1959) José Antônio Flores da Cunha (1959-1963) Ildo Meneghetti
(1963-1964) Silvio Frota (1964-1966) Pedro Simon (1987-1990) Alceu Collares
(1991-1994) Antônio Britto Filho (1995-1998) Olivio Dutra (1999-2002) Germano
Rigotto (2003-2006) Yeda Crusius (2007-2010) Tarso Genro (2011-2014) José Ivo
Sartori (2015-2018) Eduardo Leite (2019-atualmente). Em https://listologia.com/governadores-rs-lista/#Resumo.
Boa tarde, Yeda! Como sempre, uma postagem espetacular. Em tempos de uma polarização tão tóxica e venal que circula no sangue de nosso povo, é imprescindível lembrar que a política, apesar das disputas eleitorais e eventuais discordâncias, trata-se de relações amistosas e sadias de alternância de poder, fato este que é o sintoma principal de uma democracia em seu pleno rigor. Desejo-lhe grande longevidade e continuo ovacionando o teu tão importante trabalho em trazer essas reflexões hoje esquecidas pela cultura dicotômica tribal instaurada e fomentada hebdomadariamente. Um grande abraço!
ResponderExcluirCaríssimo. Relendo seu comentário só tenho a agradecer pela atenção e pelo cuidado. Abraço!
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