O QUE NOS APROXIMA
Diários de Viagem (1)
22 outubro 2025
Programei com carinho viagem em grupo para
2025, e tive a sorte de contar com uma guia economista e socióloga dominicana
para nos fazer mergulhar nas origens do nascimento do Canadá e dos Estados
Unidos. No grupo nenhum outro brasileiro, a língua falada foi o espanhol, e
isso foi um ganho extra para mim. Aprendi viajando que a História que
buscava conhecer não foi muito diferente da nossa. À mesma época da
formação do Brasil, descobertas as Américas, chegaram à América do Norte grupos
de ingleses fugitivos de perseguição por guerras civis religiosas. Sempre assim
se registram as descobertas: fugindo das guerras ou buscando novos
mercados.
Resumindo, vinham os migrantes fugidos
da Guerra dos 100 anos entre França e Inglaterra, iniciada nos
1300's. Chegaram ao local que chamaram de Plymouth 56 sobreviventes dos
120 peregrinos ingleses no May Flower (1620). O nosso roteiro de viagem cobriu
o caminho por eles percorrido, indo por terra de New York para Boston, Quebéc,
Montréal, Otawa,Toronto e, depois, Niágara Falls. As cataratas de Niagara são a
décima parte de Iguassú, mas linda igual, uma parte nos EUA, uma no Canadá. Já
na moderníssima Toronto, 50% dos habitantes não são nascidos no Canadá.
Desde as origens, além de dividir-se entre o francês e o inglês, até hoje o
Canadá se ressente de uma população pequena de bebês, necessitando de
imigrantes como mão-de-obra para se desenvolver. A riqueza dessa história
para entender nossos dias é enorme. Aproveitei muito.
De volta a NY encontrei com minha neta Helena
e minha nora Cristina, que não via além das lives. Separadas do
presencial primeiro pela pandemia, depois por diversas mudanças das famílias,
depois com as enchentes no estado, nos encontramos durante muito tempo por
lives. Emocionante o nosso encontro em NY!
De volta em Porto Alegre refiz mala e toquei
para Palmeira das Missões para palestra no encerramento da Semana Acadêmica dos
alunos de Economia do campus UFSM/PM. A viagem de ida durou no dia 17 durou 5
horas, como a de volta no dia 18, em estrada quase duplicada reconstruída
depois das imensas cheias de 2013 e 2014. Em Palmeira encontrei
professores que estudaram no IEPE/UFRGS onde fui professora nos anos 1970's.
Conto um pouco disso em outra crônica deste blog, O Fio de Ariadne.
Voltei de Palmeira com verdadeiras jóias, as
que aproximam pessoas. Uma é uma carta que considero uma distinção
acadêmica e política (Figura 1), e outras duas são os livros escritos por
advogados (Figura 2), jóias esculturadas com a alma da cultura do interior do
nosso estado. Tem raízes, e fortes. Entre elas, o amor à Justiça. Hoje,
lendo um dos livros no jardim do condomínio, o vento fez arte e levou a
carta escrita à mão com caneta de tinta para a piscina. Quase perco a
jóia. Salvei. Espero que dê para ler mas, pela importância, transcrevo
abaixo. Ficaram as marcas d’água. Senti novamente por tudo o que se perdeu
nas águas das enchentes, cartas, fotos, memórias, que não puderam ser salvas.
Ficam os tributos, as pesquisas, as homenagens para as pessoas perdidas.
Estimada Yeda Rorato Crusius,
Gostaria de expressar minha sincera gratidão pelos serviços prestados ao Brasil.
Tento imaginar o tamanho da paciência necessária para incluir nos debates políticos as lições da economia – e a coragem exigida para tomar decisões impopulares, porém imprescindíveis para o nosso futuro.
Não tenho dúvidas de que hoje vivemos um momento melhor em nosso querido Rio Grande do Sul porque a senhora teve a coragem de construir o caminho.
De todo coração em meu nome e em nome da minha família, agradeço profundamente por sua perseverança.
Em uma época de redes digitais e impulsionamentos artificiais, registro aqui minha admiração analógica e autêntica.
Aproveito a oportunidade para lhe deixar algumas singelas lembranças: a primeira, da PALMITRAL, concessionária da New Holland que completou 50 anos de existência ontem – acompanhada do abraço dos diretores, Sérgio e Cassiano Corazza; e dois livros que em tenho a alegria de figurar ao lado de amigos que fiz nas andanças pelo mundo.
At. Vagner Felipe Kühn
17/10/2025
Assim é o
nosso Rio Grande. Empresas de 50, 100 anos. Amizades nascidas nas buscas e andanças pelo mundo. O amor às raízes, à Justiça. O livro, em português e
espanhol, nos aproxima. Como a Academia. Ir a Palmeira completou a inigualável
emoção que a história, a economia, os bancos escolares, o convívio professor/aluno, o cuidado, o respeito, o aprender e o fazer, alimentam. E nos aproximam.
Bela homenagem a quem planta em solo fertil estruturas que dão frutos ao longo do tempo e o reconhecimento de quem colhe ecom isso vem a amizade que perdura pelo tempo a fora
ResponderExcluirOs livros que recebi são muito bons, diferenciados.
ExcluirNão vejo a hora de receber essa querida para ouvir suas aventuras que me fascina
ResponderExcluir2026 está chegando! Que venha com encontros que nos alegrem!
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