ROSTOS E MÁSCARAS 

DA SÉRIE PLANEJAMENTO DEMOCRÁTICO (I)

SETEMBRO DE 2025

Dei este título a uma coluna quinzenal que mantive no Correio do Povo nos anos 1980. Tratava da maquiagem do governo tentando mascarar os índices de preços do IBGE naqueles tempos de altíssima inflação. A coluna foi o tema escolhido pela UFRGS na prova de português no vestibular daquele ano. Hoje, mais de 40 anos depois, volta o ataque do governo federal à intituição IBGE para maquiar fatos tão importantes quando o PIB e a inflação. A serviço do governo de plantão.

Desde lá as fontes de (des)informação se multiplicaram para além dos jornais. São tempos de internet, de mundo digital, de redes sociais, de Inteligência Artificial. É preciso vontade, persistência e competência para comunicar os fatos como eles são, num movimento de resistência ao trato manipulador da realidade dado pelo governo e seus parceiros à busca do lucro fácil e do poder eterno.

A inflação é arma poderosa contra os mais pobres. O governo faz a inflação fabricando dinheiro, aumentando os impostos para cobrir seus déficits, bilhões transferidos a contas privadas de parceiros e parentes. Quando se tenta mostrar os fatos com números e propostas bem fundamentadas, reagem. Fui candidata ao governo do estado em 2006. Deficitário há 40 anos, disse em entrevista: é preciso planejar,  planejar é lançar luz sobre o futuro. Jornalista de grande mídia que servia a governos anteriores reagiu publicando crítica, carregada de preconceitos e intenções, não sobre o significado da expressão, e sim adjetivando quem a criou. Com o tom arrogante dos que nada criam decretou: “ela não é política”. Sei.

Para muitos convém repetir que ser político é mentir, enganar mentes e corações com promessas que não serão cumpridas. É comum na elaboração dos orçamentos públicos, por exemplo. Orçamentos públicos podem ser uma ferramenta básica para se chegar ao futuro desejado, em pacto entre quem propõe e quem será beneficiado pela aplicação dos recursos gerados por impostos. Podem ser, de outro lado, uma peça de ficção se feito por políticos que usam o orçamento para criar ilusões. Ilusionistas e salvadores da pátria têm como principal ferramenta a propaganda com ações que são jogadas emocionais de marketing, bonitas mas vazias de realidade dos fatos. 

É possível fazer diferente. Resistir à manipulação, denunciá-la, e mostrar como conquistar o futuro desejado através de um processo democrático, como fez o saudoso Bernardo de Souza ao criar e instituir em Pelotas o Orçamento Participativo (citado em A Força do Povo, de Márcio Moreira Alves, 1980 – Figura 1).

 

Texto

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Figura 1: Moreira Alves

Bernardo de Souza fundou o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Pelotas, pelo qual se elegeu vereador. No Executivo, comandou a Procuradoria-Geral do Município. Em 1982, foi eleito prefeito de Pelotas pela primeira vez. Saneou as finanças públicas, mas a principal marca de sua administração foi a participação popular. Em seu governo, ocorreu a primeira experiência brasileira de orçamento participativo. (Wikipedia)

Bernardo de Souza jogou luz sobre o futuro possível e desejado, estimulando a participação popular na peça orçamentária do município. Criou o Orçamento Participativo. Pactuou investimentos decididos pela maioria do voto livre. Cumpriu. Depois outros o usaram como título, aparelharam as assembleias para orientar para onde lhes interessava os recursos públicos como se fosse decisão dos contribuintes.

Quando os orçamentos públicos passam a ser peças de ficção, promessas feitas para não serem cumpridas, em lugar de planejar lançando luz sobre o futuro é possível, financiando as políticas públicas de forma transparente, participativa. Assim fez Bernardo de Souza, defendendo na prática os valores fundamentais da política como ação democrática com o Orçamento Participativo. Outras experiências praticadas por todo o mendo existem, experi~encias de democracia deliberativa que vale serem lembradas. Aqui erão.

Comentários

  1. Fala tão necessária em tempos de tantas máscaras, em que se pleitea à todo custo alcançar seu intento, inclusive através das mentiras (fake news). Adoro esse blog....

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