ROSTOS E MÁSCARAS
DA SÉRIE PLANEJAMENTO DEMOCRÁTICO (I)
SETEMBRO
DE 2025
Desde lá as fontes de (des)informação se multiplicaram para além dos jornais. São tempos de internet, de mundo digital, de redes sociais, de Inteligência Artificial. É preciso vontade, persistência e competência para comunicar os fatos como eles são, num movimento de resistência ao trato manipulador da realidade dado pelo governo e seus parceiros à busca do lucro fácil e do poder eterno.
A inflação é arma poderosa contra os mais pobres. O governo faz a inflação fabricando dinheiro, aumentando os impostos para cobrir seus déficits, bilhões transferidos a contas privadas de parceiros e parentes. Quando se tenta mostrar os fatos com números e propostas bem fundamentadas, reagem. Fui candidata ao governo do estado em 2006. Deficitário há 40 anos, disse em entrevista: é preciso planejar, planejar é
lançar luz sobre o futuro. Jornalista de grande mídia que servia a governos anteriores reagiu publicando crítica, carregada de preconceitos e intenções, não sobre o significado da expressão, e sim adjetivando quem a
criou. Com o tom arrogante dos que nada criam decretou: “ela não é
política”. Sei.
Para muitos convém repetir que ser político é mentir, enganar mentes e corações com promessas que não serão cumpridas. É comum na
elaboração dos orçamentos públicos, por exemplo. Orçamentos públicos podem ser uma
ferramenta básica para se chegar ao futuro desejado, em pacto entre quem propõe e quem será beneficiado pela aplicação dos recursos gerados por impostos. Podem ser, de outro lado, uma peça de ficção se feito por políticos que usam o orçamento para criar ilusões. Ilusionistas e salvadores da pátria têm como principal
ferramenta a propaganda com ações que são jogadas emocionais de
marketing, bonitas mas vazias de realidade dos fatos.
É possível fazer diferente. Resistir à manipulação, denunciá-la, e mostrar como conquistar o futuro desejado através de um processo democrático, como fez o saudoso Bernardo de Souza ao criar e instituir em Pelotas o Orçamento Participativo (citado em A Força do Povo, de Márcio Moreira Alves, 1980 – Figura 1).
Figura 1: Moreira Alves
Bernardo de Souza fundou o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), em Pelotas, pelo qual se elegeu vereador. No Executivo, comandou a Procuradoria-Geral do Município. Em 1982, foi eleito prefeito de Pelotas pela primeira vez. Saneou as finanças públicas, mas a principal marca de sua administração foi a participação popular. Em seu governo, ocorreu a primeira experiência brasileira de orçamento participativo. (Wikipedia)
Bernardo de Souza jogou luz sobre o futuro possível e desejado, estimulando a participação popular na peça orçamentária do município. Criou o Orçamento Participativo. Pactuou investimentos decididos pela maioria do voto livre. Cumpriu. Depois outros o usaram como título, aparelharam as assembleias para orientar para onde lhes interessava os recursos públicos como se fosse decisão dos contribuintes.
Quando os orçamentos públicos passam a ser peças de ficção, promessas feitas para não serem cumpridas, em lugar de planejar lançando luz sobre o futuro é possível, financiando as políticas públicas de forma transparente, participativa. Assim fez Bernardo de Souza, defendendo na prática os valores fundamentais da política como ação democrática com o Orçamento Participativo. Outras experiências praticadas por todo o mendo existem, experi~encias de democracia deliberativa que vale serem lembradas. Aqui erão.
Fala tão necessária em tempos de tantas máscaras, em que se pleitea à todo custo alcançar seu intento, inclusive através das mentiras (fake news). Adoro esse blog....
ResponderExcluirAbraço!
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