MÁQUINAS E MENTES: A IA
Da Série Democracia
(I)
20 DE
MARÇO DE 2026
Figura 1: Justiça Figura 2: Diálogos
Entre
máquinas e mentes, foi na Costa Oeste dos EUA, no Vale do Silício, que se deu o
desenvolvimento da tecnologia que mudou o mundo, enquanto concentra-se a maior
parte das melhores e mais tradicionais universidades da Costa Leste. Uma
resposta me veio como um insight (iluminação, intuição) ouvindo a
conversa de dois jovens no hotel em que estávamos hospedados, em Cupertino. No
Vale do Silício se faz, enquanto na Costa Leste se pensa.
À mesa do
café da manhã estavam um CEO de uma emergente big tech, e o outro um
doutor em filosofia de renomada universidade da Costa Leste, hóspede do mesmo
hotel. O filósofo perguntou ao CEO o que tinha levado a que fosse selecionado
em dura concorrência. A resposta foi por ser o melhor da escola de filosofia
para o que a empresa queria desenvolver: programas de inteligência artificial. Perguntas
ainda buscam ser respondidas por dois caminhos, duas escolas de pensamento,
como aprendemos com os filósofos gregos. Ou quando, muito depois, o Renascimento
nos trouxe duas respostas, uma que vem do racionalismo, das ciências, e outra
vem dos estudos de humanidades. Complementam-se ou se contrapõem?
Pois foi
em Atenas, e não em outro lugar, que os gregos desenvolveram a civilização da
qual bebemos sabedoria até hoje. Os gregos perguntavam-se sobre a vida, essa
fagulha da criação, sobre como formar boas pessoas, e como viver na cidade, em
comunidade. Filósofos gregos nos encaminharam aos maiores avanços desde que os
humanos se enxergaram diferentes dos outros seres vivos. Por refletirem. Sobre
o que é Justiça, Ética, como viver. A decadência vem, como um consenso, quando se
corrompe o pilar fundamental das sociedades: a Justiça, essa que a política
deveria ter como valor fundacional. Lembra-nos dos gregos hoje Eugenio Bucci
(Figura 1), e colocados em debate cientistas e filósofos por Marcelo Gleiser (Figura
2).
Há
vantagens em ser velho. Uma é a da experiência adquirida no tempo vivido, e por
ela sabemos mais, decidimos como viver melhor o tempo restante. Tempo é vida. Filósofos,
poetas e músicos já descreveram com arte e sabedoria sobre isso. O avanço colhido
nas ciências da vida, como neurociência e biologia, conta com o auxílio das
tecnologias da era da informática, permitindo por diagnósticos mais acurados
prescrever tratamentos para doenças como depressão, autismo, Alzheimer. Laboratórios
fabricam remédios que acionam o corpo no que deixaram de produzir
espontaneamente. Mas como funciona a mente, que comanda o corpo na prática, o
que a desperta, ou adormece, ainda não se sabe.
Nossas
avós e bisavós, que foram ensinadas por seus avôs e bisavôs “sabiam”. Sabedoria
milenar. Civilizações já desaparecidas realizaram obras que até hoje, sabendo
tudo o que fazemos e fabricando tudo o que fabricamos, não sabemos como fizeram
– como as pirâmides. Temos hipóteses, mas não certezas. Sem ter respostas para o
que é a inteligência humana, que as máquinas tentam copiar, cientistas das
áreas de física e de informática estão se voltando ao estudo da filosofia, dialogando.
Na atual
Era dos Extremos o que mais tem faltado é isso: diálogo, sabedoria que
aprendemos e transmitimos pelo método filosófico da reflexão. Na falta dele, quando
se sentem ameaçados, os poderosos de plantão usam do poder que têm ou usurpam
para impedir a liberdade de pensar. Não passarão. É sempre hora de estudar
filosofia.
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