CIÊNCIA E SOCIEDADE: SIGAMOS AS PISTAS DA NATUREZA 

DA SÉRIE AS PISTAS QUE A NATUREZA NOS DÁ (I) 

15 DE DEZEMBRO DE 2025

Perguntei a meu filho, engenheiro elétrico, o que levava a porta da cafeteria onde estávamos a abrir quando alguém se aproximava dela. Resposta: Mãe, não procure entender. Usa. A resposta tem a (im)paciência de quem estudou a vida inteira um campo de conhecimento que usa matemática, estatística, linguagem de máquina, ferramentas complexas para desenhar programas de computador e equipamentos da moderna era. Já nos acostumamos com portas automáticas, reconhecimento facial, totens, QR Codes, e controles digitais para operar tudo. Usamos. São um avanço, mas não funcionam sozinhos. Necessitam de um estímulo, uma fonte de energia.

Entendi a resposta, mas queria saber que estímulo fazia a porta abrir. Fui ao Google e parei em sensores. Imitam o corpo humano, sua inteligência, seus sistemas e aparelhos desenvolvidos através de longa evolução. Nossos cinco sentidos- visão, olfato, paladar, audição, tato – contam com sensores que dirigem os estímulos recebidos do meio ambiente para o cérebro, que os interpreta e manda para formar a memória. Tudo está lá. Há mais sentidos internos como o equilíbrio (vestibular) e a consciência corporal (propiocepção). Depois de conhecer os sistemas  do corpo (Figura 1) tudo fica mais simples – e extremamente complexo, como a vida o é. Seguindo as pistas que a natureza nos dá fabricamos de tudo, em Revoluções Industriais aceleradas. Por exemplo computadores, que tentam copiar nosso cérebro. Ou aviões, copiando os pássaros. Ou remédios, copiando a reação do corpo a inimigos que o atacam.


         Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

          Figura1:Sistemas do corpo humano

Fabricamos satélites; estações tripuladas em contato permanente com a Terra; programas como o ChatGPT escrevem livros e sentenças mais rapidamente do que fariam escritores e juízes; carros autônomos dirigem melhor que muitos motoristas; robôs realizam com precisão cirurgias à distância; equipamentos de áudio e tato viabilizam leitura para cegos; próteses substituem partes do corpo. São milhares de inovações que têm permitido melhorar a qualidade de vida num mundo cada vez mais automatizado, fragmentado e conectado. 

Mas tem o outro lado da moeda. O mundo debate a possibilidade de máquinas que funcionam por Inteligência Artificial (IA) substituírem as pessoas e, tomando decisões autônomas, substituirem os humanos em tudo. Alguém do lado escuro da força, pode fazer um computador mais inteligente do que o Al do filme de Kubrick 2001-Uma Odisseia no Espaço (1968), e que sozinho seja capaz exterminar mais que a soma dos ditadores modernos como Putin e Maduro, e antigos como Hitler, Mussolini e Stalin no século XX. Kubrick se baseou em conto de 1951 de Arthur C. Clarck, o homem que previu o futuro. Aliviou quando no filme alguém que SABIA como o monstro funcionava conseguiu barrar Al.

Somos a máquina mais complexa e perfeita jamais criada que empresa startups tentam copiar-para resolver problemas e inovar. De bebês totalmente dependentes, aos 2 anos de idade já falamos com verbo, predicado, complemento, sem saber o que é isso, porque recebemos o estímulo requerido para o sistema da fala funcionar. A neurociência tem avançado muito na compreensão sobre como bebês aprendem a respirar, chorar, falar, cantar, jogar futebol, criar arte, e fabricar máquinas maravilhosas. Neurônios se conectam sem ninguém ensinar. Têm sua própria inteligência. Sentem. Substituem partes falidas do corpo. Ocupam espaços. Criam matéria. Computadores não. 

Sensor: dispositivo capaz de detectar/captar ações ou estímulos externos e responder em consequência. Estes aparelhos podem transformar as grandezas físicas ou químicas em grandezas elétricas. Como os seres humanos recorrem ao seu sistema sensorial para uma tarefa, as máquinas e os robôs requerem sensores para interagirem com o meio em que se encontram para gerar os resultados a que se propõem.

Para usar melhor e com prazer os frutos da tecnologia moderna, como aconselhou meu filho, busquei aprender sobres sensores do corpo e das máquinas. Sou do “ver para crer”, e as coisas que não vejo, como os elementos químicos básicos da vida, estudo. Comparando corpo e máquina, aprendendo sobre eles, uso melhor os dois. Tenho escutado melhor meu corpo. E sido mais crítica do uso das máquinas - vide golpes. Não é só tomar um remédio prescrito, mas entender como ele age no corpo. Senão, pode dar ruim. Não é só usar a telinha, é saber que o seu uso tem consequências – vide crianças cooptadas pelo celular, golpes na internet, dependência por indução ao vício dos jogos eletrônicos. Entender da máquina e do que ela é capaz evita que quem a use possa vir a ser usado por ela. Para o bem e para o mal.

Olhos e ouvidos atentos então. Sigamos as pistas que a natureza nos dá.


Comentários

  1. Que texto sensacional! O ser humano é mesmo único nesse universo tão amplo. A maior sabedoria mora em nos ouvirmos com mais atenção, os sinais que nosso corpo grita.

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