QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA.
Da Série OUVINDO O QUE A NATUREZA NOS DÁ (I)
07 DE
DEZEMBRO DE 2025
Um antigo ditado leva uma mensagem para os tempos atuais. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Vale o mesmo para o ditado devagar com o andor que o santo é de barro, ou o barato sai caro. Acontece hoje com os golpes que as redes sociais permitem, e lucram.
Figura 1: Sensores
Com mensagens acionando emoções as redes sociais disponíveis nos celulares têm servido a espertos e criminosos. Criminosos dão golpes, espertos levam pessoas a comprar pela internet ofertas (?) que chegam sem serem pedidas. Um clique e pronto... perdeu. Há golpes de consequências bem mais graves, muitos com idosos que não operam celulares com a facilidade dos jovens da era digital. Na ânsia de receber antecipadamente um precatório, a pessoa transfere os dados bancários e... conta zerada. Outros querem comprar ou vender um carro com ofertas pela internet, marcam encontro, e acabam vítimas de crimes brutais. A rede, dada a denúncia, deveria filtrar. Mas não filtra e assim fatura em nefasta parceria entre a rede e o esperto, ou o criminoso.
Recebemos nesta acelerada era digital uma enxurrada de informações despertando emoções que, se não analisadas, podem custar caro. O cérebro precisa de tempo para analisar o estímulo recebido com promessas de ganhos fáceis, de consumo barato, de prazer imediato. A rede inverte essa necessidade de tempo em troca de prazer imediato. Há alternativas para se ter esse prazer. Dá trabalho, toma tempo, como ler, por exemplo. Ler traz um prazer que ninguém te rouba. É teu. As decisões são tomadas como ensina o livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, de Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia (Objetiva, 2011). Para entender o voto que se forma pelas emoções manipuladas pelas redes é bom (re)ler o livro do Guiliano da Empoli Os Engenheiros do Caos (São Paulo, Vestígio, 2020).
É saudável prestar atenção aos sensores que nosso corpo possui, dando tempo para que ele mesmo acione a melhor resposta aos chamados das telinhas e telonas, com seus falsos profetas e espertos de plantão. Ouçamos nosso corpo, desfrutemos da natureza, da história que alguém queira nos contar. Sem pressa. Para
isso e tudo o mais. É inigualável, nenhuma compra supera.
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