GOLPES E DITADOS: QUANDO A ESMOLA É DEMAIS O SANTO DESCONFIA.
DA SÉRIE OUVINDO AS PISTAS QUE A NATUREZA NOS DÁ
07 DE
DEZEMBRO DE 2025
Um antigo ditado leva uma mensagem para os tempos atuais. Quando a esmola é demais, o santo desconfia. Esmola é palavra que saiu de moda. Vale o mesmo para o ditado devagar com o andor que o santo é de barro, ou o barato sai caro Acontece hoje com os golpes que as redes sociais permitem.
Figura 1: Sensores
Com suas mensagens acionando emoções, as redes sociais disponíveis nos celulares têm levado as pessoas a comprar pela internet ofertas que chegam sem serem pedidas. Um clique e pronto... perdeu. Perdi com o site carolinabeach que chegava no meu facebook quando, numa desatenção, comprei. Nunca recebi. Denunciei pelas redes e o site desapareceu do radar. Com outro nome, logo apareceu na mesma rede outro site com as mesmas ofertas. A rede deveria filtrar, mas não filtra e assim fatura. Canseira.
Os nossos sensores são a fonte para nossas emoções. Nem quando dormimos desligam: só ficam mais livres e rápidos, formando os sonhos. Acordados, recebemos nesta acelerada era digital uma enxurrada de informações despertando emoções que, se não analisadas, podem custar caro.
Não dei tempo ao cérebro de processar as informações. Os produtos eram lindos e baratos. Aliás, baratos demais. Há outros golpes de consequência bem mais graves, muitos dirigidos a idosos, que normalmente não operam máquinas e celulares com a mesma facilidade que os jovens da era digital. Exemplos se multiplicam. Na ânsia de receber antecipadamente um precatório, a pessoa transfere os dados bancários e... conta zerada. Outros querem comprar ou vender um carro com ofertas incríveis vindas pela internet, daí marcam encontro e podem acabar sofrendo crimes brutais.
O que
fazer? É fazer o contrário do que a busca do prazer imediato ordena:
não tenha pressa. Dê tempo para o cérebro analisar o estímulo recebido com promessas de ganhos fáceis, de consumo barato, de prazer imediato. Há alternativas para se ter prazer. Dá trabalho, toma tempo, como ler, por exemplo. Ler traz um prazer que ninguém te rouba. É teu. As decisões são tomadas como ensina o livro Rápido e Devagar: Duas Formas de Pensar, de Daniel Kahneman,
Prêmio Nobel de Economia (Objetiva, 2011). Para entender o voto que se forma pelas redes, é bom (re)ler o livro do Guiliano da Empoli Os Engenheiros do Caos (São
Paulo, Vestígio, 2020). Ou viaje com os clássicos da nossa terra, que são muitos e maravilhosos.
É saudável prestar atenção aos sensores que nosso corpo possui, dando tempo para que ele mesmo acione a melhor resposta aos chamados das telinhas e telonas, com seus falsos profetas e espertos de plantão. Ouçamos nosso corpo, desfrutemos da natureza, da história que alguém queira nos contar. Sem pressa. Para
isso e tudo o mais. É inigualável, nenhuma compra supera.
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