OBSERVATÓRIOS PARA UMA AGENDA 2026

Da Série PLANEJAMENTO DEMOCRÁTICO (II)

5 DE DEZEMBRO DE 2025

 Em 2000, na campanha à prefeitura de Porto Alegre, propus a criação do Observatório da Cidadania para a cidade, embalada pelas esperanças de virada de milênio vindas de experiências bem sucedidas como as de observatórios. A ONU, com a Agenda 2015, propunha uma agenda de trabalho conjunto dos países, com prioridades bem definidas pelo diagnóstico do ciclo que se vivia, que se inicava. A ONU vinha realizando desde os anos 1970 conferências temáticas. Ruth Cardoso havia nos incentivado, em 1995, a participar da Conferência da Mulher em Pequim, na China, quando se estabeleceram prioridades e metas consensuais - o método da ONU é só aceitar o que é consensual nas conferências -  para o enfrentamento da desigualdade nos 15 anos seguintes. O Brasil assinou o documento estabelecendo políticas públicas para buscar resultados.

Na campanha para a prefeitura, tendo o prefeito Guilherme Socias Vilela como vice, nossa agenda para Porto Alegre foi "Vamos Abraçar a Igualdade" com a proposta de uma inovação: a criação de um Observatório da Cidadania para a avaliação pública, contínua, das políticas de governo. O abservatório é ferramenta democrática para além da burocraciaestatal, das secretarias próprias da administração municipal. Adversários que se apresentavam como donos da agenda do bem reagiram. Bom sinal. Hoje várias organizações vêm criando os seus observatórios como ferramentas de construção de convergências e consensos, que permitem dar eficiência às políticas de estado. Difere de um conselhão desses que passam a ser um aparelho usado para propósitos ideológicos de quem os cria, como tem sido o caso em vários deles. É para gerar resultados concretos, fruto de ação democrática.

Uma ação gera os melhores resultados quando os que participam dela se sentem parte, se envolvem ativamente nela. Vale para empresa, condomínio, governo, escola, igreja, família. Entendendo onde se quer chegar com uma agenda comum de trabalho, com planejamento estabelecendo prioridades, metas e avaliação contínua, observatórios permitem ir consertando o que não vai bem, mudar o que precisa ser mudado no caminho. Pude fazer isso mais tarde no governo do estado com as Câmaras Setoriais, os Programas Estruturantes, e experiências como o Programa de Prevenção da Violência (PPV), e a da Democracia Deliberativa para a reestruturação de carreiras de estado. Deu certo, ou seja, geraram os melhores resultados.

Participação, transparência e comunicação permanentes são essenciais na política como arte e ciência que exige liderança e compromisso. Um observatório é ótima ferramenta para o processo de avaliação. Por isso saúdo hoje a criação do Observatório do Comércio pela FECOMÉRCIO RS. Desejo todo o sucesso na inovação, e vida longa ao Observatório.

 


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