2026: O GRANDE DESAFIO DA ERA DIGITAL

31 DE DEZEMBRO DE 2025

 O calendário marca o último dia de 2025. O ano foi de grandes desafios para os que buscam a verdade das coisas. Foi o ano das narrativas contra os fatos, em um processo acelerado, sem descanso, exigindo persistência e resiliência dos que buscam manter viva a consciência sobre os fatos da realidade, em um aprendizado intenso como há muito não se via. Nesse aprendizado foram lançadas muitas boas sementes que desejamos ver brotar já em 2026. 

Em épocas de crise analistas voltam-se aos ensinamentos que reaparecem em citações de clássicos como Platão, que com sua Academia formava discípulos interessados em política e poder. Vivendo na Grécia de antes de Cristo, a Grécia da experiência da democracia, Platão escreveu ensinamentos recebidos no convívio com o mestre, o pai dos filósofos, Sócrates. Platão conviveu também com tiranos. Deixou escritos os ensinamentos e, de sua experiência, nasceu A República.

Platão escreveu assim como fizeram apóstolos de Cristo, entre eles em especial João Evangelista. Escribas cuidadosos permitiram que o mundo usufruisse dos ensinamentos com os quais foi edificada a Igreja que atravessa os séculos viva. O poder da palavra é imenso. No capítulo VII de A República Platão escreve a alegoria sobre a caverna onde o que parece não é. Tendo um dos prisioneiros da saído e visto a realidade das coisas fora dela, teve que ter coragem para voltar tentando com suas palavras iluminar a consciência dos seus sobre o engano no qual viviam. De coragem e outras virtudes trata a obra, no caminho para chegar-se à Justiça.

A República trata de valores que devem possuir os que ocupam cargos públicos, hoje lembrados pelos corajosos que nunca desistem na permanente busca da verdade da Humanidade ao longo da sua jornada. Esses valores andam são negados por muitos que ocupam os mais altos cargos públicos da nossa república, como ela é hoje, cargos dos quais depende a vida dos cidadãos. Pois hoje, final de ano, quero lembrar de um fato histórico, protagonizado por Émile Zola.

Émile Zola (1840/1902) foi um escritor libertário da França, presumivelmente assassinado por desconhecidos em 1902, quatro anos depois de ter publicado seu famoso artigo J’accuse. Teve coragem. No artigo Zola, em carta dirigida ao presidente da França, Félix Faure, acusa os responsáveis pelo processo fraudulento contra Alfred Dreyfus. Na carta, que foi publicada na primeira página do jornal L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, Zola acusa o governo de antissemitismo ao julgar o oficial judeu Dreyfus em 1894. Vale reler, como vale sempre reler Platão e os clássicos que tratam de política, em momentos de crise nos quais se busca o que fazer para sair dela. Zola clamava por Justiça, insistindo na marcha pela verdade, na proteção do indivíduo contra os desmandos institucionais dos que se julgam donos do poder.

Esta homenagem no encerramento do ano é para os muitos Zolas que buscam iluminar as consciências sobre processos públicos semelhantes que vão se sucedento no mundo e no Brasil. É uma singela homenagem aos que, em permanente busca pela verdade, se arriscam mesmo sabendo dos riscos de assumir a ação. As narrativas contra os fatos vão se apresentando exatamente por parte de quem tem a responsabilidade do cargo para praticar a Justiça. Alguns pagam caro pela coragem de falar e agir. Fases como esta, registradas na História, felizmente têm tempo finito de duração, graças a muitos que seguem denunciando processos como o citado por Zola. Mesmo pagando por isso. Ainda bem. 

Por eles, desejo a todos um muito Feliz Ano Novo 2026, com a esperança de que os desafios e as transformações registrados em 2025 encontrem terreno fértil para fazer brotar as virtudes necessárias para o pleno exercício de cargos públicos, para honrá-los, defendendo o cidadão que deles dependem.

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