O ANO DE 2026 E O DESAFIO DA ERA DIGITAL NA POLÍTICA

31 DE DEZEMBRO DE 2025

 O calendário marca o último dia de 2025. O ano foi de disputa entres narrativas e fatos inundando as redes sociais, exigindo persistência e resiliência dos que buscam manter viva a consciência da realidade dos fatos. Foi um aprendizado intenso exigido para distinguir entre fatos e fakenews. Os estragos a que as fakenews levam reafirmam que a palavra tem poder, ainda mais acompanhada de imagens que sirvam a ela. No capítulo VII de A República Platão escreve a alegoria da caverna, onde o que parece não é. Um dos prisioneiros mantidos presos na caverna conseguiu sair e viu a realidade das coisas fora dela. Voltando voluntariamente ele tentou, com palavras, iluminar a consciência dos seus sobre o engano no qual viviam. De coragem (voltar para tentar libertar os seus) e outras virtudes trata a obra, valores que devem possuir os que ocupam cargos públicos como o fez o preso. 

Valores tem sido negados por muitos que ocupam os mais altos cargos públicos da nossa república, cargos dos quais depende a vida dos cidadãos. É o caso de ministros do STF, corte maior da Justiça, que deixam de honrar o posto de juiz supremo. Não nos tem faltado Émiles Zolas denunciando barbaridades cometidas em nome da Justiça, embora ações como a do escritor libertário não tenham ainda rendido os frutos desejados para o país. Lembremos do caso.

Émile Zola (1840/1902) foi presumivelmente assassinado por desconhecidos em 1902, quatro anos depois de ter publicado seu famoso artigo J’accuse, reproduzido acima. Teve coragem. Em carta publicada na primeira página do jornal L’Aurore em 13 de janeiro de 1898, Zola acusa o governo de antissemitismo ao julgar o oficial judeu Dreyfus em 1894. Vale reler, como vale sempre reler Platão e os clássicos que tratam de Política como Justiça. Vale, valem. Zola clamava por Justiça, insistindo na marcha pela verdade, na proteção do indivíduo contra os desmandos institucionais dos que se julgam donos do poder recebido por instituições que cuidam do coletivo.

Homenageio os muitos Zolas que tem buscado iluminar as consciências sobre processos semelhantes ao de Dreyfus, que vão se sucedendo perigosamente no Brasil. Perigo para a liberdade, a democracia, a justiça. É uma homenagem aos que na defesa da verdade se arriscam, mesmo sabendo dos riscos de assumir a ação. Alguns pagam caro. Fases como esta, registradas na História, felizmente têm tempo finito de duração graças aos exemplos dos muitos que seguem denunciando a corrupção moral. Mesmo pagando por isso.  

Para eles em especial, mas a todos, desejos um muito Feliz Ano Novo 2026, com a esperança de que os desafios e as transformações que fizeram 2025 sejam sementes que encontrem terreno fértil para fazer brotar virtudes para o pleno exercício de cargos públicos. Para honrá-los, defendendo o cidadão que deles dependem.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog