VAI PASSAR

25 de outubro de 2025

Teve um tempo em que eu via as novelasVelho Chico (2016) e Império (2014), com ótimos atores e deslumbrantes cenários especialíssimos deste nosso Brasil maravilhoso e tão mal-amado pelos que fazem a nossa pátria tão distraída ser subtraída em tenebrosas transações, frase da música genial de Chico dos anos 1980, Vai Passar.  

  


 
                                                           Figura 1 – Império                                     


                                                         Figura 2 – Velho Chico

A novela Império ganhou o Emmy Internacional de Melhor Novela de 2014. A novela Velho Chico ficou marcada por duas perdas: os atores Umberto Magnani (Padre Romão) e Domingos Montagner (Santo dos Anjos). A perda trágica de Domingos Montagner, tragado após os últimos capítulos gravados pelas águas que eram a cenário principal, foi chocante. A música genial Vai Passar de Chico Buarque faz uma crítica veemente ao período colonial brasileiro, desde o período do “descobrimento” até a ditadura militar em 1984. (letrasehumanidades2011.blogspot.com). 

A novela Velho Chico (2016) foi contemporânea das Olimpíadas no Brasil, e das gigantescas manifestações de praça que ajudaram a derrubar o governo Dilma que, para além da escancarada corrupção, aplicou desastrosas políticas econômicas que trouxeram de volta a inflação, a recessão, e os escândalos bilionários.

Desde então o lugar fixo, como o sofá para ver as novelas, cedeu lugar ao celular, com todas as alternativas podendo ser acessadas a qualquer hora e em qualquer lugar. Essa mudança acomponhava uma mudança política acendida pela queda das tôrres gêmeas de Nova Yorque em 2001, barrando a sensação de liberdade que as redes sociais ofereciam, como a convocação para as passeatas que ajudaram a derrubar o governo. Cito dois livros que tratam disso.

(1) Liberdade sempre irritou os poderosos que, quando confrontados, contra atacam. Vivemos tempos de censura que pedem reflexão. Entre o cálice e a espada, assim balança a Humanidade fadada a repetir erros. (O Cálice e a Estada: Nosso Passado, Nosso Futuro, Riane T. Eisler, 1987).

O livro resulta de pesquisa sobre as evidências arqueológicas e históricas que provam ter havido em passado distante sociedades pacíficas e igualitárias organizadas em torno da cooperação e do respeito. A autora (...) aponta o caminho de futuro viável, para convívio de forma mais saudável e respeitosa, alinhando escolhas com valores de parceria, cuidado amoroso, inclusão e sustentabilidade. (palasathena.org.br)

(2) Garantida a liberdade, ninguém obriga ninguém a calar nem escolhe o que podem ler. O  livro do David Coimbra, que nos deixou tão cedo (2022), no capítulo 11 de Uma História do Mundo (2012) nos deleita com as culturas e suas origens. Assim como Raiane, nos diz que tudo passa.

"Os egípcios não viveram uma vida muito diferente da sua. Verdade, não havia trens, carros, telefones celulares, televisores e geladeiras, nada disso. Mas eles já tinham dado a partida na máquina da civilização. Tudo isso era uma questão de tempo."

Tudo é uma questão de tempo, David. Este milênio, que começou com muitas esperanças, com a derrubada das Torres Gêmeas de Nova York (2001) deu margem a uma sociedade do controle em nome do combate ao terrorismo. Evoluiu em seguida para as manifestações de praça e suas Primaveras Árabes, com a meteórica expansão das tecnologias de comunicação. Na esteira de tanta inovação chegamos aos anos 2020 com a Inteligência Artificial mudando o mundo, mas com novas pandemias e guerras. Em nome do de sempre, acionam um breque vigoroso nas liberdades. 

Mas vai passar. Carpe Diem. Aproveite o dia.

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