JULHO DE 2007: O DIA EM QUE NÃO VI KIRI TE KANAWA

17 de julho de 2025

 Shurasteishuraigou. Em 2024, escrevi uma crônica com este título. Em 2022 um acidente havia tirado a vida de Jesse Koz e seu golden Shurastei quando estavam chegando ao destino final de viagem sonhada, desde Camboriú até o Alasca. Jesse havia resolvido viver seu sonho: viajar até a outra ponta do continente, fazendo do Fusca 78 sua casa, compatilhando pelo youtube as aventuras e paisagens dos muitos milhares de km que percorreu. Quase chegou. Acompanhamos. Hoje, mais uma vez, fui motivada pela história de Jesse.

O motivo é um documentário da Netflix. Hoje se completam 18 anos da queda do voo 3054 da TAM em São Paulo, saído de Porto Alegre com 187 pessoas a bordo. Um gigantesco desastre. Nenhum sobrevivente, 199 mortos, 187 a bordo e 12 em solo. Sonhos incompletos, interrompidos. O avião em chamas era acompanhado ao vivo pelas TVs. A única parte visível era a cauda, poupada do fogo, com a marca TAM bem visível.

Era o meu primeiro ano de governo. Estávamos celebrando uma das principais conquistas para chegarmos à condição de estado que paga suas contas em dia: o aumento de capital do Banrisul, a primeira etapa do plano do déficit zero. Naquela noite quando descia as escadas para sair de casa, o motorista com olhos fixos na TV avisou: "o avião saiu de Porto Alegre, governadora". Estava em Porto Alegre para sua apresentação Kiri Te Kanawa.  Para todos os que gostam de música, era uma noite muito especial. Bem, aquela foi a noite em que não fui ver Kiri. 

A consciência de que todos os que estavam naquele avião não viveriam mais seus sonhos foi brutal. Mantive aberto e iluminado o Piratini naquela noite para todos os que precisassem do que estivesse à nossa disposição e vontade fazer. Naquela noite e nos meses seguintes. O que veio antes e depois daquele desastre está descrito no documentário em 3 episódios da Netflix Congonhas - A Tragédia Anunciada, lançado em 23 de abril. Primoroso. Verdadeiro. Minha homenagem a todos os que lutaram para que a verdade dos fatos pudesse ir sendo revelada. Desastres aconteceram e acontecerão certamente, mas a busca da verdade será sempre uma luta com a qual podemos, com as ferramentas de compartilhamento livre de que ainda dispomos, homenagear os que tiveram seus sonhos interrompidos.

 

                                     Figura 1: Võo 3054, Aerorpoto de Congonhas (2007-SP)

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