NATUREZA, A BELEZA DO INESPERADO, E AS FALSAS IMAGENS
09 de julho de 2025
O contraste entre a aparência e a essência, mostrada em A Bela e a Fera (Figura 1), tem um par no contraste gritante entre a beleza que a natureza nos oferece e o seu uso pelos que não a valorizam. Somos a cada passo surpreendidos com beleza do inesperado (A Simples Beleza do Inesperado, Marcelo Gleiser, 2016), como a dádiva da
natureza captada nos instantes do pôr do sol no Guaíba (Figura 2). Mas existe o seu contrário. Fotos e vídeos preparados para incentivar emoções para o mau uso, as fake news, é um exemplo.
A Bela e a Fera
Figura 2: pôr do sol no Guaíba
Inovações como a pólvora foi explosivo para construir de modo eficiente estradas, mas também é arma nas mãos de quem faz a guerra. A descoberta da fissão nuclear foi celebrada como a descoberta de fonte duradoura e barata de “energia limpa”, mas é a base da armas atômicas capazes de levar ao fim da Humanidade. Toda moeda tem dois lados. Nos processos de decisão tanto individuais quanto coletivos a liberdade é alimento fundamental para a escolha, e necessita de informações confiáveis que a fundamentam. Quando uma delas, ou as duas, falham, a decisão pode levar a péssimas consequências.
Mas não vamos tão longe. O aparelhamento de instituições criadas para mediar conflitos que compõem as relações sociais desvirtua o fundamento de sua criação, sendo usadas para todo tipo de desvios e enriquecimento ilícito. Exemplo recentíssimo é o dos golpes bilionários contra aposentados do INSS: servidores usaram seu acesso às folhas de pagamento para roubar aposentados ao formar uma rede de corrupção e crime de assombrar. Foram mais de 6 bilhões de reais tirados mensalmente dos aposentados. Também é bilionário o roubo do seguro obrigatório contra perdas de
clientes do sistema financeiro, depositado em confiança no BACEN.
Leis são elaboradas para a definição de
políticas públicas que façam fazer valer direitos, punir crimes, gerar mais justiça, amálgama institucional na formação dos sistemas sociais. Cabe ao elaborado sistema de justiça, operado por instituições republicanas acreditadas, sua aplicação. Hecha la ley, hecha la trampa, diz
a expressão popular. Seu aparelhamento para fins políticos, no entanto, tem feito com que seja utilizado para ganhos privados, para cerceamento de direitos como o da liberdade, para operação no crime organizado - praga crescente, para o cometimento de toda forma de injustiças. O tecido social, com isso, se corrompe. A história das revoluções é feita, em grande parte, de movimentos para barrar essa corrosão.
Com o noticiário incapaz mesmo de cobrir o casos surgindo como tsunami diário, parece que estamos chegando a um limite. É o que aponta a notícia de hoje, bombástica, sobre pesquisa do Atlas/Intel/Bloomberg (VGNJUR, 08072025). Para 42,8% dos entrevistados, é o Judiciário a principal ameaça à democracia. Depois vem o Governo (38,8%), o Congresso (28,9%), a Elite (25%), a Oposição (24,4%), o Crime Organizado (21,9%) e assim segue. É a percepção do povo mostrando um descrédito nas instituições que organizam o sistema republicano. E isso bate na formação dos motivos do voto. Na preparação das eleições a opinião pública vale ouro, apesar ds tentativas de manipulação que tem sofrido.
Por essa situação somos todos responsáveis, embora muitos de seus causadores o neguem, tomados por uma cegueira moral poderosa. Antes que o caldeirão estoure, e as consequências da irresponsabilidade sejam ainda mais nefastas, é preciso dar um basta. Nem com todos os males praticados, não se acaba com a infinita beleza do inesperado. Que venha.
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