O FIO DE ARIADNE, PARA ALÉM DO ARCO ÍRIS

23 de novembro de 2024


Do fio se tece o tapete. Dos mitos e símbolos é feita a História. Esta é uma breve história de vida feita de mitos e símbolos colocados em tapetes tecidos nos tempos de pandemia e de enchentes.


Sobre meus tapetes: Um deles junta O Fio de Ariadne O Mágico de Oz à minha jornada política. O Fio de Ariadne é um mito antigo sobre a vida como um labirinto, sobre o amor, e sobre a lição, ao entrar no labirinto, que o herói tem que vivenciar para sair dele. Entrar não é difícil, sair sim.  Para Além do Arco Íris (Over the rainbow), é o título da música do filme O Mágico de Oz, que trata da jornada de Dorothy a partir de um temporal, e sua busca mágica. Sua refilmagem foi vencedora do Oscar deste ano com Wicked. O tapete fiz durante a pandemia de 2020-2022, bordando esses dois mitos. Os pontos não ficam perfeitos quando feitos de lãs de diferentes qualidades compradas no período do fique em casa. Perfeita é só a natureza. . 

O mito:  assim chamado devido à lenda de Ariadne para descrever a resolução de um problema em que se pode usar diversas maneiras (como exemplo: um labirinto físico, um quebra-cabeça de lógica ou um dilema ético), através de uma aplicação exaustiva da lógica por todos os meios disponíveis" (...) é constantemente visto como a imagem com a qual se tece a teia que guia o Homem na sua jornada interior, e o ajuda a se desenredar do caminho labiríntico que percorre em sua busca do autoconhecimento" (Ana Lúcia Santana, Infoescola)

Outro tapete teci no aniversário de 250 anos de Porto Alegre ligando a cidade aos elementos que contêm minha ideia de poder e magia. Nele estão dois palácios, o das esmeraldas de O Mágico de Oz, e o do Piratini que ocupei como governadora. Coloquei nele também o Cais Mauá, de onde sai o "meu" catamarã cruzando o Guaíba fazendo a travessia alternativa a estradas e pontes, tão desejada, e que realizei. Pela água agora se faz a travessia entre Porto Alegre e Guaíba. 

Compõem o tapete as imagens dos sapatinhos vermelhos de Dorothy, eternizados no filme O Mágico de Oz, e do N do Piratini na charge do Marco Aurélio, publicada na ZH no dia seguinte às eleições de 2006. O N de PiratiNi é um sapato vermelho de salto para mostrar que uma mulher, a primeira da história, ocuparia o palácio como governadora. Palácios, lembro, são símbolos de poder. Eu passaria a ocupar em 2007 um espaço de poder na condição de primeira mulher eleita pelos gaúchos. 

Como iz um querido crítico que me acompanha, esses tapetes precisam de bula. Lá vai, então. A magia e o mágico buscados por Dorothy não existem nem estão nos palácios, nem no das Esmeraldas, nem no Piratini da Praça da Matriz de Porto Alegre. A Magia está em Nós, inscrevi no tapete. Nem existe um baú cheio de moedas no fim do arco-íris: a riqueza está em nós (Figura 2). Livros, para mim, são arte em que ideias e religiões são tema presente em qualquer biblioteca como a que teci (Figura 3). Na lateral da biblioteca inscrevi os símbolos das religiões monoteístas (Figura 1), como estão na arte da gargantilha que uso como símbolo de convivência e respeito às diferentes culturas e povos. A pauta que encima o tapete é a da primeira estrofe da música de Élcio Soares e Nelson Cavaquinho, Juízo Final. O sol há de brilhar mais uma vez. Acordei com essa canção no dia seguinte ao que um processo que durou 17 anos foi encerrado com a comprovação de que eu havia governado com ética e honestidade. A homenagem às artes da literatura e da música, expressas em livros e pautas, formam o tema do tapete. 

 

            Figura 1: Paz     Figura 2:Yeda Dorothy      Figura 3: Música e Livros

Sobre a política: no período da pandemia (2020-2022) presidi o PSDB Mulher Nacional. Trabalhei em casa, fiz centenas de lives, operando uma plataforma digital que criei para a capacitação de candidatas para as eleições municipais de 2020, quando foram proibidas as campanhas de rua. Participaram das reuniões, dos cursos e debates, 10 mil candidatas em todo o Brasil. As que pediram receberam todo o material de campanha a ser feita poelas mídias (redes) sociais.  Campanhas eleitorais nunca haviam sido feitas pelos meios digitais. Aprendemos todos. 

Foi uma oportunidade única poder conhecer a realidade e o sonho delas, habitantes de todos os cantos do país. Os bons resultados motivaram um debate internacional, promovido pelo National Democratic Institute (NDI), entre eu, que havia feito a campanha em 2021, o coordenador das eleições que se realizariam naquele ano no México, e o jovem candidato a presidente do Chile, que havia comandado manifestações de praça no país - e logo depois do debate foi eleito presidente. Como fazer campanha sob pandemia era o tema. Nós fizemos.

Depois vieram as inovadoras prévias do partido em 2021. Pela plataforma conduzi os debates entre os três pré-candidatos a presidente. Duelaram pelo espaço que só prévias democráticas realizadas com os votos dos filiados permitiriam ocupar. Tudo transparente, feito pela internet. Mas a democracia interna, pilar do partido que escolhi para fazer política, foi ferida de morte quando o vencedor desistiu no ano seguinte, e o segundo colocado não aceitou os resultados. Não tivemos candidato a presidente pela primeira vez desde a redemocratização. O partido original perdia sua alma, e agonizava a partir daí.

Continuei presidindo o PSDB Mulher 2022 Nacional, nos anos seguintes mobilizando, apoiando e capacitando candidatas pela plataforma PSDB Brasileiras/PSDB Mulher, com excelentes resultados. Enfim podia "dar por encerrada a sessão", como se diz na política, promovendo minha sucessão. Desfiliei-me. 

Sobre o futuro: pandemia terminada, novas vacinas, fim do isolamento forçado mas, para além das questões climáticas e sanitárias, pesadas sombras de guerra chegam à Europa na Ucrânia invadida por Putin, e à Faixa de Gaza após os atos terroristas do Hamas em Israel. Há uma interrogação sobre o que fará Trump no novo mandato. Entra novamente o mundo num labirinto do qual se busca sair. O fio de Ariadne não é apenas um mito. Ensina. Dizem na Prússia: felicidade é o intervalo entre a útima e a próxima crise. Períodos democráticos sempre foram curtos. Longevas civilizações já desapareceram. Tudo é ciclo. Para responder sobre o que fazer sob incerteza e risco temos que entrar no labirinto da política atual com o fio dos nossos valores para sair dele e ajudar a estruturar o mundo que queremos. Continuamos sonhando, na crença de que é possível.

As folhinhas do calendário vão continuar a virar. 2025 se aproxima. Que seja um Feliz Ano Novo!

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